Robô que lê emoções será testado em banco japonês

Programado para falar 19 línguas e analisar as emoções dos clientes a partir do tom de voz e expressão facial, o robô ‘Nao’ atuará no grupo financeiro Mitsubishi UFJ Financial Group como parte da campanha do governo pela robotização do país

Por monica.lima

A chamada “Revolução robótica” anunciada pelo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em junho do ano passado ganhou um toque emocional. A partir de abril o maior banco japonês vai empregar, como teste em algumas agências, robôs que conseguem compreender o humor do cliente. O Mitsubishi UFJ Financial Group, um dos grupos japoneses que mais investe em recursos “não-humanos”, vai utilizar um robô de 58 centímetros, com pouco mais de cinco quilos, batizado de “Nao”, programado para falar 19 línguas, e além disso capaz de analisar as emoções dos clientes a partir de seus tons de voz e de suas expressões faciais.

A “Revolução robótica ” é uma das medidas que o governo japonês anunciou para enfrentar o encolhimento da mão-de-obra do país, consequência do envelhecimento de sua população e da baixa taxa de natalidade, e também para impulsionar o crescimento da terceira economia do mundo. Em meados do ano passado, o governo japonês havia anunciado que a “revolução robótica” era um ingrediente essencial para os esforços do país na direção do crescimento econômico. O primeiro-ministro Shinzo Abe disse, então, que gostaria de transformar o país uma vitrine para o serviço de robôs em várias áreas até 2020, quando Tóquio sediará as Olimpíadas. Os planos de Abe são de que a indústria robótica alcance um valor de cerca de US$ 22 bilhões até o ano da realização dos jogos.

Em outubro do ano passado, a comissão governamental responsável por determinar as medidas desta “revolução” fez uma primeira reunião. Foi decidido o aumento do uso de robôs e de tecnologias relacionadas à robótica em vários setores de economia, como o setor hoteleiro e financeiro, nas atividades industriais, em hospitais e no acompanhamento de idosos, um problema crônico no país.O Japão já é líder global no uso de robôs em indústrias. Mas as empresas ainda dependem intensamente no trabalho humano.

O robô “Nao”, equipado com uma câmera na testa, é programado para cumprimentar os clientes e perguntar que tipo de serviço eles desejam, oferecendo as opções como abertura de conta, troca ou envio de dinheiro para o exterior e uso de caixa eletrônico. “Nao” foi desenvolvido em 2006 pela empresa francesa Aldebaran Robotics, uma subsidiária da gigante SoftBank de telecomunicações e internet.

Takuma Nomoto, gerente-chefe para iniciativas de Tecnologia de Informação do Mitsubishi UFJ Financial Group, acredita que “Nao” será capaz de lidar até mesmo com os clientes mais exigentes. A ideia é aperfeiçoar o robô até as Olimpíadas, em cinco anos, quando deverá ser usado para atender os visitantes estrangeiros. Segundo Nomoto, os robôs têm a vantagem de realizar tarefas que humanos não conseguem, como a de desempenhar a comunicação em várias línguas durante 24 horas em serviços bancários. “ ‘Nao’ é bonito e simpático. Acredito que nossos clientes vão gostar dele”, disse Nomoto à agência Bloomberg.

Bem mais alto do que “Nao”, “Pepper” (“Pimenta”), com 1m20cm, é outro robô “emocional” da mesma empresa francesa que já trabalha como assistente de vendas nas lojas de telefones celulares do SoftBank em Tóquio. “Pepper” agora está sendo preparado para trabalhar em mais de mil lojas da multinacional suíça Nestle no Japão até o final deste ano: ele está programado para vender cafeteiras.

A “Revolução robótica” japonesa poderá ser sentida também em um parque temático futurístico da cidade de Nagasaki. Lá, o hotel Hen-na, que será inaugurado em julho deste ano, será operado quase que totalmente por robôs: eles estarão na recepção, na portaria, vão carregar as malas dos hóspedes para os quartos, farão o serviço de limpeza, e atuarão como garçons no restaurante, informou a administração do parque no mês passado. A intenção é empregar apenas 10 humanos no hotel robótico japonês. O emprego dos robôs, além de ajudar a enfrentar o problema da falta de mão-de-obra, é visto como uma forma de reduzir o consumo de energia, e também para manter os preços das diárias mais baixos: a previsão é de que uma noite neste hotel custará cerca de US$ 60. Nas portas dos quartos haverá um dispositivo capaz de identificar a expressão facial dos hóspedes. Assim, eles não precisarão usar chaves para entrar no quarto.

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