Irã e potências chegam a  um acordo preliminar sobre programa nuclear

Embora incerto, o entendimento abre caminho para um futuro pacto mais abrangente que deve apaziguar os temores ocidentais de que o Irã almejava construir uma bomba atômica

Por diana.dantas

Suíça - O Irã e seis potências chegaram nesta quinta-feira a um acordo preliminar para deter o programa nuclear iraniano por pelo menos uma década depois de oito dias de uma maratona de reuniões na Suíça.

Embora incerto, o entendimento abre caminho para conversas sobre um futuro pacto mais abrangente que deve apaziguar os temores ocidentais de que o Irã almejava construir uma bomba atômica e, em troca, levar à suspensão das sanções econômicas contra a República Islâmica.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em pronunciamento que o desfecho é um bom acordo, comparando-o com os pactos de controle de armas nucleares firmados por seus antecessores com a União Soviética, que “tornaram nosso mundo mais seguro” durante a Guerra Fria.

"Hoje, os Estados Unidos, juntamente com nossos aliados e parceiros, chegaram a um acordo histórico com o Irã que, se totalmente implementado, irá evitar que o país obtenha uma arma nuclear", declarou Obama.

De acordo com o acordo delineado, Teerã irá desligar mais de dois terços de suas centrífugas, que produzem urânio que poderia ser usado para fazer uma bomba, desmantelar um reator que poderia gerar plutônio e aceitar inspeções mais minuciosas.

"Hoje, demos um passo decisivo, criamos parâmetros", declarou a chefe de Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, em entrevista coletiva. "A determinação política, a boa vontade de todas as partes tornaram isso possível."

"Esta é uma decisão crucial, estabelecer a base acordada para o texto final de um plano de ação conjunto abrangente. Agora podemos começar a elaborar o texto e os anexos", detalhou Mogherini, que atuou como coordenadora das seis potências: Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Rússia e China.

CAUTELA IRANIANA

O acordo, fortemente rejeitado por Israel, aliado dos EUA, inclui limite de 10 anos ao enriquecimento de urânio iraniano.

O chanceler do Irã, Javad Zarif, expressou cautela: "Ainda estamos um pouco distantes de chegar onde queremos estar."

Uma autoridade ocidental disse que os lados concordaram que o entendimento exige que o Irã dilua ou envie ao exterior a maior parte de seus estoques de urânio enriquecido, e só mantenha 6 mil das 19 mil centrífugas que utiliza para o enriquecimento.

O acordo encerrou oito dias de conversas, que se estenderam para além do prazo da meia-noite de 31 de março para que se tentasse obter um pacto político que sirva como base para um acordo definitivo, a ser firmado até 30 de junho.

Zarif afirmou que os outros aspectos das relações entre Irã e EUA nada têm a ver com o acordo.

"Esta foi uma tentativa de resolver a questão nuclear... temos diferenças sérias com os Estados Unidos", disse.

"Alimentamos a desconfiança mútua no passado... então o que espero é que, através da implementação corajosa disto, parte dessa desconfiança possa ser remediada. Mas isso todos teremos que esperar para ver."

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