Rússia continuará intervenção na Ucrânia para impedir sua adesão à Otan

Líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte anunciaram a formação de uma força de resposta rápida que terá como objetivo responder às agressões dos russos

Por monica.lima

Agora sim. Os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte estão unidos para enfrentar o perigo que já não é vermelho. Mas todavia é russo. Na reunião da organização, na semana passada, os líderes da OTAN anunciaram a formação de uma força de resposta rápida que terá como objetivo responder às agressões da Rússia. Afinal, qual é o perigo? Depende de quem narra os acontecimentos e de quão longe se busca uma resposta. Em uma entrevista ao programa DemocracyNow!, aqui de Nova York, Jack Matlock ofereceu uma explicação. Ele foi testemunha dos fatos que analisou pois serviu como embaixador dos Estados Unidos na União Soviética de 1987 a 1991. E o muro de Berlin caiu, marcando o fim da Guerra Fria, em 1989. Jack Matlock é autor de vários livros, entre eles “Reagan and Gorbachev: How the Cold War Ended” (Reagan e Gorbachev: como a Guerra Fria terminou).

O ex-embaixador garantiu que a Rússia vai intervir na Ucrânia até ter certeza de que o país não se tornará membro da OTAN:

- E todas as ameaças da OTAN de aumentar a defesa em toda a área é simplesmente uma provocação para os russos. Agora, não estou dizendo que está certo, mas estou dizendo que é assim que a Rússia vai reagir. E francamente, isso era previsível. Nós que ajudamos a negociar o fim da Guerra Fria dissemos, quase unanimemente, nos anos 90: “não ampliem a OTAN em direção ao leste. Encontrem outra maneira de proteger o Leste Europeu, uma maneira que inclua a Rússia. Caso contrário, eventualmente haverá um confronto porque existe uma linha vermelha, na visão de qualquer governo russo, quando se fala da Ucrânia, da Georgia e de outras ex-repúblicas soviéticas.

O diplomata explicou que o acordo fechado entre George Bush e Mikhail Gorbachev nunca foi sacramentado em documento oficial. Mas houve um acordo de cavalheiros testemunhado por várias pessoas. O então Secretário de Estado americano, James Baker, garantiu a Gorbachev: a jurisdição da OTAN não vai avançar um milímetro sequer em direção ao Leste. E Gorbachev acreditou... Duas décadas e pouco depois, quase todas as ex-repúblicas soviéticas já fazem parte do Tratado. E agora, empurrados pelos Estados Unidos, os membros da OTAN ameaçam incorporar a Ucrânia, na porta da Rússia.

Mas quem foi que desestabilizou a Ucrânia, apoiou um golpe de estado e instalou no poder um governo que imediatamente tentou banir a língua russa nas províncias do leste do país? A resposta era previsível. E o que se vê agora são casas destruídas, moradores sobrevivendo aos bombardeios sabe-se lá como, sem água, sem comida ou eletricidade. Os que podem, fugindo em direção à Rússia sem saber quando e se um dia poderão voltar para casa.

Amanhã os holandeses, líderes da investigação do acidente com o voo MH17 da Malysian Airlines que foi derrubado sobre a Ucrânia em julho matando 298 pessoas, devem divulgar resultados preliminares do trabalho. A investigação completa só deve ficar pronta dentro de um ano. Mas o noticiário em torno do acidente simplesmente desapareceu. A queda do avião foi prontamente apontada pelo Ocidente como obra dos separatistas, com equipamento bélico oferecido, e quem sabe até operado, pelos russos. Quando a tese começou a dar água, o noticiário esfriou.

Mike Whitney, colaborador assíduo do site CounterPunch e crítico ferrenho da política externa dos Estados Unidos, não deixo o silêncio passar em branco. Em coluna publicada na semana passada, ele ressaltou detalhes do caso que passaram “em branco” no noticiário norte-americano. Por exemplo: depois de acusar o governo russo de estar por trás da queda do avião, a Casa Branca foi incapaz de apresentar provas, apesar de ter radares e satélites que monitoram a região constantemente. Segundo Whitney, o noticiário sobre o acidente sumiu porque todas as indicações são de que o avião deve ter sido derrubado pelo governo de Kiev, para incriminar a Rússia.

Então, vamos aos detalhes:

Testemunhas ouvidas pela BBC viram aviões militares no céu momentos antes da tragédia. E garantiram que os jatos derrubaram o avião de passageiros. Radares de analistas militares russos detectaram jatos ucranianos levantando voo e se aproximando da aeronave da Malaysian Airlines até chegarem a uma distância entre 3 e 5 quilômetros. Os russos apresentaram fotos do centro de controle do tráfego aéreo de Rostov para provar o que diziam. Enquanto isso, Kiev negava a existência de aviões militares no local.

Outra história não esclarecida: um funcionário do Centro de Controle do Tráfego Aéreo de Kiev em Borispol, que se apresentou apenas como Carlos, enviou mensagens, por twitter, no dia do acidente. Alertou que o avião podia ter sido derrubado, que havia mais de 280 passageiros a bordo e em seguida denunciou: “Autoridades de Kiev estão tentando fazer parecer que foi um ataque dos pro-russos”. Carlos continuou disparando mensagens. Garantiu que o avião foi derrubado pelo governo de Kiev. “Tudo foi registrado nos radares, aqui nós sabemos e o controle aéreo militar também sabe”.

Em seguida os militares ucranianos afirmaram que um míssil havia derrubado o voo MH17 e tomaram o Centro de Controle do Tráfego Aéreo. Carlos nunca mais mandou mensagens e não se tem notícia do paradeiro dele.

Para completar o que mais parece uma teoria conspiratória, mas tem dados concretos para justificar as dúvidas, existe o depoimento do piloto alemão e especialista em transportes aéreos, Peter Haisenko. Ele foi piloto da Lufthansa durante 30 anos e escreveu um artigo analisando o acidente com bases nas fotografias já divulgadas até agora. Publicado, originalmente, na página do Centro de Pesquisa sobre Globalização, o artigo foi reproduzido em vários sites na internet. Ele garante que o avião foi derrubado por um míssil e em seguida alvo de vários disparos de armas automáticas calibre 30 mm. Segundo ele, justamente o tipo de munição usado pelos aviões militares ucranianos. Pedaços da fuselagem apresentam uma grande quantidade de orifícios que, segundo ele, são consistentes com a explicação.

Michael Bociurkiw, primeiro investigador da Organização para Segurança e Cooperação Européia a chegar ao local do desastre, passou uma semana analisando os destroços e disse à rede de tevê canadense CBC que três pedaços da fuselagem do avião que ele analisou estavam cobertos de furos de balas como se tivessem sido metralhados. E quanto a marcas de destruição por míssil ele revelou não ter encontrado nenhuma. Fica a pergunta: quem está provocando quem na Ucrânia?

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