Projeto facilita acesso a cirurgia corretiva de 'orelhas de abano'

Instituto Orelhinha já atendeu 10 mil pessoas em nove cidades. Cadastro para seleção no Rio pode ser feito até dia 18. Valor da cirurgia é reduzido em 70%

Por rosayne.macedo

Rio - Estão abertas as inscrições para o processo de seleção do Projeto Orelhinha, que viabiliza o acesso de pacientes de baixa renda à cirurgia corretiva da orelha de abano. Somente no Estado do Rio de Janeiro, há 985 pacientes que aguardam a realização da cirurgia em clínicas parceiras. 

O projeto é desenvolvido pelo Instituto Orelhinha, que nos últimos dez anos beneficiou cerca de 10 mil pessoas em nove cidades brasileiras. A iniciativa atende a crianças, jovens e adultos com histórico de dificuldade de socialização e baixa autoestima em função da anatomia das orelhas.

De acordo com a entidade, uma cirurgia de correção desta condição, conhecida como otoplastia, custa entre R$ 6 mil e R$ 8 mil. Para pacientes atendidos pelo Projeto Orelhinha, o valor cai para R$ 1.950, ou 30% em média do preço normal.

Candidatos devem se inscrever no evento de triagem que vai acontecer no Auditório do MDX Medical Center, na Barra da Tijuca, no dia 18. Após participar de uma palestra de esclarecimento e orientação médica, os pacientes saem com uma data pré-agendada para a cirurgia, que será confirmada após a análise das informações sociais e da avaliação médica dos exames pré-cirúrgicos e anamnese clínica.

As inscrições são feitas pelo email contato@projetoorelhinha.com.br ou pelo telefone 0800 718 7804.

Ação anti-bullying

Cerca de 5% da população sofrem com orelha de abano e muitos são vítimas de bullying. Além de facilitar o acesso à cirurgia, o Projeto Orelhinha promove um trabalho educacional de conscientização e orientação para evitar o problema, a partir da distribuição gratuita de uma cartilha educativa em escolas e instituições interessadas no tema.  

Parte da receita obtida pelo projeto também é destinada ao atendimento gratuito de crianças com histórico de bullying, baixo rendimento escolar e dificuldades de socialização. Para receber o benefício, o paciente deve ser encaminhado por serviço de assistência social ou psicológica e apresentar, documentos, laudos e atestados que demonstrem a necessidade do atendimento e a falta de recursos financeiros para custear o procedimento. 

O trabalho da entidade envolve ações de orientação, triagem, análise social e encaminhamento ao atendimento médico, além de suporte pré e pós-operatório. O projeto mobiliza parcerias voluntárias entre cirurgiões, hospitais e anestesistas.

Atualmente, há 20 cirurgiões, em diferentes estados, que participam do projeto. No Rio de Janeiro, o projeto é realizado em dois hospitais-dia parceiros localizadas na Barra da Tijuca, Zona Oeste, que se revezam no atendimento à demanda.

Os procedimentos começaram a ser realizados em 2010, como atividade filantrópica e beneficiavam apenas crianças entre sete e 14 anos, oriundas de famílias de baixo poder aquisitivo e encaminhadas ao Instituto Orelhinha por instituições assistenciais.

Responsável pelo projeto, o cirurgião plástico Marcelo Assis, conhecido como "Dr. Orelhinha", diz que a demanda pelo serviço tem sido enorme. “Como não recebemos patrocínios, não conseguimos realizar todas as cirurgias gratuitamente e sim a um preço infinitamente mais baixo", explica.

 

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