Proteja seu coração durante o inverno

Incidência de infecções respiratórias com as temperaturas baixas eleva em até 40% o risco de doenças cardiovasculares, principalmente o infarto. Hábitos saudáveis ajudam a prevenir

Por cadu.bruno

Rio - Com a chegada do inverno, muita gente se previne contra alergias e problemas respiratórios. O que poucos sabem, porém, é do risco de doenças circulatórias que a estação traz consigo. As baixas temperaturas contribuem com a vasoconstrição, ou seja, a diminuição do diâmetro do vaso sanguíneo, que prejudica a circulação e dificulta a saída do sangue do coração. E, com o aumento do número de infecções respiratórias, o sistema cardiovascular também fica sobrecarregado, o que gera o aumento do risco de infarto agudo do miocárdio.

O frio aumenta o risco das doenças cardiovasculares em geral porque faz aumentar as infecções respiratórias. Clique na foto e amplie o gráficoArte O Dia

Estudos estimam que, a cada dez graus a menos de temperatura, as complicações cardíacas têm um aumento entre 30% e 40%. Isso porque, com doenças como gripe e resfriado, o coração precisa trabalhar mais a fim de bombear mais sangue. Pessoas mais velhas ou com doenças na artéria coronária — responsáveis pela chegada de oxigênio e outros nutrientes ao miocárdio — estão mais sujeitas a infartos.

“O frio aumenta o risco das doenças cardiovasculares em geral. Isso ocorre porque aumentam as infecções respiratórias que causam um processo inflamatório difuso precipitando as doenças cardiovasculares, sobretudo o infarto”, explica o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), Ricardo Mourilhe.

Segundo ele, é importante estar em dia com a vacina contra a gripe e se agasalhar em dias de frio. Ele ressalta, ainda, a importância de preservar hábitos saudáveis. “É a principal recomendação para evitar um infarto. Não fume, evite o sedentarismo e controle a hipertensão, o diabetes, o colesterol alto e a obesidade”, recomenda Mourilhe, que afirma: o cigarro aumenta a vasoconstricção e, no frio, esse risco é potencializado.

Frequentemente confundidas com a asma, outras doenças pulmonares e infecções, como as pneumonias e a incidência dos quadros de insuficiência cardíaca, tendem a aumentar no inverno. A insuficiência cardíaca é caracterizada por tosse, falta de ar, cansaço, perda de apetite e dificuldade para dormir, sintomas bem parecidos com um quadro asmático ou com outras doenças pulmonares. No entanto, a patologia também pode apresentar palpitações, inchaço nas pernas e tornozelos, ganho de peso, náuseas e vômitos, necessidade de urinar à noite, pulso irregular ou rápido, entre outros sinais, aponta o cardiologista Rogério Krakauer, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

“Quando bem tratada, com acompanhamento médico, medição da pressão arterial, alimentação saudável, controle do estresse e prática de exercícios físicos, o paciente pode retornar a sua rotina convencional”, esclarece o médico.


Aneurisma cerebral: um risco no frio

A sensação é de que um raio atingiu sua cabeça. E você perde a consciência Este é o principal sintoma de quem já teve um aneurisma cerebral, outro problema agravado pelas temperaturas baixas. “Nos dias mais frios, nosso corpo procura regular a sensibilidade térmica e tenta se aquecer. Há uma diminuição no diâmetro das artérias e veias, o que pode contribuir para o sangramento do aneurisma”, explica o neurocirurgião Luiz Daniel Cetl, especialista pela Unifesp.

Outro problema circulatório da estação é o fenômeno de Raynaud, uma desordem vascular desencadeada pela exposição ao frio ou a uma situação de estresse emocional. É mais comum nos dedos das mãos, mas pode acometer os dedos dos pés, orelhas, lábios, nariz e mamilos.

Outras doenças relacionadas à circulação e períodos frios são o agravamento da aterosclerose (depósito de placas de gordura e cálcio na parede das artérias) e a claudicação intermitente, quando há dor nos músculos das pernas ao se fazer exercícios, como uma caminhada.

Reportagem do estagiário Caio Sartori

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