Pokémon Go: Entenda por que as pessoas estão perdendo a noção na rua

Cadáver flutuando em um rio já foi encontrado na busca por uma criatura de água e um jogador capturou um bichinho enquanto sua mulher estava em trabalho de parto. Game acendeu debate sobre segurança

Por bianca.lobianco

Rio - Após 20 anos desde o surgimento dos Pokémons, as criaturas que estavam esquecidas em um passado distante viraram novamente a sensação do momento. A Nintendo surpreendeu a todos ao lançar no dia 5 o aplicativo "Pokémon Go", que nada mais é do que a captura de pokémons em tempo real por meio da câmera do celular em uma realidade aumentada, ou seja, o virtual se mistura com o real, dando a ilusão de ter alguma espécie no local. Em questão de minutos o app virou febre e as pessoas saíram capturando Pikachus, Vulpix, Charmanders, Bulbassaurs e muitos outros mundo a fora. Em apenas dois dias a Nintendo viu sua marca no mercado se elevar em U$$ 7,5 bilhões.

Jogo de realidade aumentada permite capturar pokémons dentro de casa%2C em parques%2C museus%2C delegacias%2C cemitérios e muito maisReprodução Internet

Para se ter noção do fenômeno, há mais gente interessada em capturar criaturas com habilidades diferenciadas do que encontrar o "crush" pelo celular no Tinder, como comprova o levantamento feito pela empresa de monitoramento SimilarWeb. Além disso, o jogo faz com que as pessoas tenham que sair de casa para capturar os monstrinhos e, consequentemente, melhora a comunicação e força os indivíduos a conviver com outras pessoas. É uma ótima "atividade" para quem sofre de depressão ou outras doenças do gênero. Além de tudo, o app promete acabar com o sedentarismo excessivo da geração atual, já que o pokémon não vai aparecer se o jogador não sair à caça por aí. 

E já tem pessoas colecionando algo a mais do que pokémons. É que como os usuários ficam tão ligados em aumentar seu "time", acabam esbarrando em vários lugares, podendo levar uma topada, um arranhão e até mesmo um roxo na perna, no braço ou conseguir um galo na cabeça. Não há limites para "pegá-los".

Apesar de está disponível apenas nos Estados Unidos, na Austrália e na Nova Zelândia, o aplicativo já registra um índice bizarro de acontecimentos. Em Missouri, quatro pessoas foram presas suspeitas de assaltar jogadores do novo game. Elas atraíam os usuários para um estacionamento deserto e levavam seus pertences. Em Wyoming, também nos EUA, uma jogadora que procurava um pokémon de água acabou encontrando um cadáver flutuando em um rio perto de casa. Na Austrália, um delegado proibiu a entrada na delegacia porque as pessoas estavam caçando pokémon no local. 

No Museu do Holocausto em Washington, uma placa foi colocada pedindo para que as pessoas não fossem buscar os bichos por lá. O cemitério militar dos EUA também foi alvo de jogadores que estavam ávidos à procura das criaturas e levou a direção a pedir respeito no Twitter.  E o fato mais inusitado registrado recentemente foi o de um usuário que avistou um "Pidgey" enquanto sua esposa dava à luz sua filha. E é claro que o novo pai não teve a menor dúvida ao pensar em capturar a criatura que estava em cima da cama da futura mamãe. Limites: as pessoas não conhecem mais quando o assunto é Pokémon Go.

Homem caça pokémon durante trabalho de parto da mulherReprodução Internet

E tanta fissura levou a polícia de Missouri a emitir um alerta aos usuários. "Se você usa o aplicativo ou tem filhos que usam, pedimos que tenha cuidado ao informar estranhos de sua localização futura". O alerta também fica para os brasileiros quando o jogo finalmente chegar em terras tupiniquins. O que vai ter de gente dando bobeira com o celular na mão no meio da rua... Certamente os criminosos vão ficar à espreita para roubar os smartphones. É preciso um olho no pokémon e outro na vida real, do contrário, corre o risco de ficar sem o exército pokémon e sem o aparelho telefônico.

Mas pelo visto a chegada do game por aqui vai demorar, já que a empresa Niantic, Inc. está enfrentando problemas com servidores por conta do número de jogadores acima do esperado. O lançamento oficial seria no final de julho. Só resta saber se o aplicativo vai consumir o pacote de dados todo do usuário, como já ocorre com o Snapchat. E como a 3G brasileira não é lá essa coisa toda e acaba muito rápido, vai ter muita gente endividada por conta da compra de dados para conseguir pegar o Pikachu. 

E é claro que tanta especulação sobre o game de realidade aumentada gerou muita expectativa nos usuários do Twitter e oficialmente Pokémon Go já é mais popular do que a pornografia na web. O site YouPorn fez uma publicação assumindo a derrota para as criaturinhas. "Vocês derrotaram o líder de ginásio YouPorn“.

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