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Alimentação saudável e trabalho voluntário podem controlar depressão

Sintomas da depressão podem ser aliviados com associação entre remédios e terapias. Mas há outros recursos que até evitam a doença

Por gabriela.mattos

Rio - "É uma sensação de total desamparo. Você não tem vontade, ânimo para fazer nada. Nem mesmo coisas básicas, como levantar da cama, cuidar de sua higiene, se alimentar... E muito menos fazer as coisas de que gostava, como ler um livro, conversar com amigos. Tudo se torna muito difícil e você não vê sentido em fazer as coisas. É algo devastador’. O relato é de Danielly Gonçalves Brito, de 41 anos, carioca que enfrentou longos três anos de tratamento após descobrir que sofria de depressão.

Só quem viveu na pele o drama consegue definir a dor que corrói a alma e parece não ter explicação. O problema já atinge um a cada cinco brasileiros. É tão grave que a Organização Mundial da Saúde definiu a Depressão como o tema do Dia Mundial da Saúde deste ano (7 de abril). A boa notícia é que, em grande parte dos casos, a depressão tem cura total. E ainda melhor, pode ser evitada. “O paciente restabelece padrões de funcionamentos pregressos ou até melhor do que antes, sobretudo quando associados tratamentos psicoterápico e farmacológico”, explica o psiquiatra Rodrigo de Almeida Ramos, diretor do Núcleo Paulista de Especialidades.

Os sintomas de quem sofre com depressão podem ser aliviados com associação entre remédios e terapiasArte O Dia

São muitas as abordagens para quem sofre de depressão. Além de medicações apropriadas, Danielly buscou ajuda na espiritualidade, no apoio da família e em um psicanalista. Há quem encontre saídas na acupuntura, meditação, musicoterapia e até mesmo no coaching. “O coaching ajuda as pessoas a acessarem suas farmácias internas e criarem novamente o hábito natural de produção desses neurotransmissores em baixa. Isso ocorre através do autoconhecimento e da autoconfiança, que trata o problema além dos antidepressivos, para que a pessoa não fique o resto da vida presa a esses remédios”, afirma Eloiá Hosana, coach de inteligência emocional.

Dar risadas, não se isolar, cortar pessoas tóxicas da sua vida, preferir uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos e até realizar algum trabalho voluntário são boas formas de enfrentar o problema. Deixar o medo do preconceito de lado e falar sobre o problema também ajuda. Psiquiatra do Hospital Adventista Silvestre, Fernanda Ramallo defende a conversa como válvula de escape. “Uns podem ajudar os outros, conversando sobre o que passaram e como solucionaram, e quais válvulas de escape adotaram. Portanto, devemos sempre falar sobre a doença para que as pessoas entendam que sim, ela existe, e é muito mais comum do que se imagina”.

A depressão afeta mais mulheres e adolescentes e é responsável por muitos casos de suicídio. O psiquiatra Rodrigo Pessanha alerta para os riscos. “Pacientes deprimidos normalmente não vão tomar aquelas precauções com relação a prevenção de doenças, a um estilo de dieta e de exercício físico. Por conta disso apresentam um risco de mortalidade significativamente maior do que a população em geral”, afirma.

Estratégias para superar

Procure um psiquiatra

Profissional especializado em Psquiatria é o mais recomendado para diagnosticar e tratar o problema. Ele poderá prescrever o medicamento e a dosagem mais adequada para cada caso. O tratamento pode envolver vários outros recursos, como psicoterapia, acupuntura, meditação e outras terapias.

Crianças e idosos

“Intervenções direcionadas aos pais de crianças com problemas comportamentais podem reduzir os sintomas depressivos dos pais e melhorar os resultados de seus filhos. Os programas de exercícios para pessoas idosas também podem ser eficazes para prevenir a depressão”, afirma a a psiquiatra Julieta Guevara, diretora da Neurohealth.

O poder da musicoterapia

“Usei muita musicoterapia para vencer a depressão. Escrevia frases de motivação, fazia meditação, assistia filmes motivacionais”, diz o professor e empreendedor Charles Peterson Soares de Rezende, de 42 anos, que começou a sofrer de depressão aos 19. Coach há quase 15 anos, ele hoje dá palestras e treinamentos. “Com meu trabalho eu ajudo as pessoas vencerem depressão e se realizarem”, conta ele, que desenvolveu um método de estudo e foi pioneiro em coach para concursos.

Alimentos com magnésio

Estudos apontam que determinadas vitaminas e minerais encontradas em alimentos podem ajudar no combate à depressão. Além da vitamina D, o magnésio se destaca como regulador do sistema nervoso, que previne a insônia, a ansiedade, a hiperatividade, o estresse e a depressão. Este mineral pode ser encontrado em alimentos como leite, queijo, vegetais de folha verde, figo e carne vermelha. Suplementos de magnésio, sempre com supervisão médica, também podem ser recomendados.

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