Por douglas.nunes

A multinacional japonesa Panasonic está investindo em produtos de linha branca para entrar na disputa de um mercado que, no Brasil, é dominado por players como a Electrolux e a Brastemp. Com menos oscilações de preço e maior rentabilidade, itens como geladeiras e lavadoras de roupas passaram a fazer parte da lista de produtos que a marca produz e vende no país. Na fábrica de Extrema (MG), a Panasonic iniciou, no ano passado, a produção de geladeiras e, no mês passado, entraram em fabricação as máquinas de lavar de 16 quilos. Segundo o vice-presidente da Panasonic do Brasil, Masahiro Shinada, o foco são clientes das classes A e B.

"Aqui no Brasil, duas únicas marcas monopolizam esse mercado, que tem um comportamento de preços bastante estável, ao contrário das TVs, onde a concorrência é mais acirrada e a constante política de promoções pressiona o valor para baixo. Nossa primeira entrada no Brasil em linha de eletrodomésticos foi com os microondas, em que temos uma importante participação de mercado. Agora, queremos investir em novos itens de linha branca. No momento, produzimos por mês três mil lavadoras e 15 mil geladeiras", detalha Shinada.

Com 80% do negócio concentrado no consumidor final, a Panasonic não vai deixar de vender TVs, principalmente em ano de Copa do Mundo e às vésperas dos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016, da qual é patrocinador. Shinada diz que a produção irá aumentar, com foco no desejo do cliente por um produto de melhor performance. Tanto que a fabricante não descarta lançar uma linha de TVs especial para as olimpíadas. "Estamos estudando essa possibilidade. Mas precisamos ser muito cuidadosos porque esse é o tipo de produto que não pode ter encalhe no estoque", afirma o executivo. A saída para isso passa por um trabalho de seleção de distribuição ao varejo. "Mudamos há cinco anos o nosso foco nas vendas para a rentabilidade. Por isso não temos uma atuação tão pulverizada em televisores. Mas com a linha branca estaremos em mais pontos de venda", diz.

As TVs são responsáveis por 40% do faturamento da Panasonic no Brasil. A empresa não informa números locais. Mas de abril a dezembro de 2013 (que corresponde ao ano fiscal de 2014, que se encerra em abril), as vendas globais foram de US$ 56 bilhões.

Segundo os passos de quem ingressa em linha branca, a Midea Carrier - fruto da união da Midea, de eletrodomésticos, e a Carrier, de climatização - inicia no Brasil a produção de uma linha de cinco microondas, em sua fábrica, em Manaus (AM), onde, até então, só fabricavam aparelhos de ar condicionado.

A linha Midea Liva terá foco no consumidor das classes B e C, jovens profissionais que precisam ganhar tempo com praticidade. Para iniciar a produção, foram investidos R$ 5 milhões para a criação de uma unidade de microondas. O produto será quase que 100% feito no país e terá preço final ao consumidor entre R$ 289 e R$ 399. "Para entrarmos no mercado nacional, pesquisamos os desejos de consumidores e vendedores e utilizamos designers brasileiros para desenvolver os produtos de 20, 25 e 30 litros", diz o presidente Midea Carrier Joint Venture Brasil, Argentina e Chile, Carlos Renck.

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