Alta das despesas financeiras reduz lucro da Oi no 1° trimestre

Juros mais elevados, Selic maior, desvalorização do real e custo de hedge foram alguns dos fatores que contribuíram

Por monica.lima

"Vamos continuar trabalhando para monetizar nossos ativos”, diz o presidente da Oi, Zeinal BavaAndré Mourão / Agência O Dia

A Oi terminou o primeiro trimestre deste ano com uma retração de 5,3% na sua receita líquida de serviços de telefonia móvel, enquanto duas de suas principais concorrentes — TIM e Vivo Telefônica — apresentaram expansão neste segmento no período. A primeira registrou um avanço de 1,4% neste item, na comparação com os primeiros três meses de 2013, e a segunda, uma expansão de 3,3%.

Como todas as outras operadoras móveis brasileiras, a Oi vem sendo afetada pelo corte nas tarifas de interconexão móvel determinado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Somente no primeiro trimestre de 2014, a receita líquida da Oi proveniente do uso de rede caiu 30,1% frente ao mesmo período de 2013. Mas esta não foi a única razão para a diminuição. “Tomamos uma decisão no ano passado, a partir de junho, de corrigir a taxa de desligamentos, principalmente no pós-pago. Estávamos com níveis de churn muito elevados e tomamos uma decisão de gestão que é corrigir processos, reduzir os subsídios e aguardar esse, do nosso ponto de vista, momento de inflexão que vai existir no mercado com o aumento da convergência para poder voltar à nossa oferta de pós-pago, esclareceu na quinta-feira o presidente da Oi, Zeinal Bava, em teleconferência com analistas de mercado.

De janeiro a março, a empresa registrou lucro líquido de R$ 228 milhões, resultado 13% inferior ao do primeiro trimestre de 2013. Os ganhos da operadora sofreram o impacto negativo do aumento nas despesas financeiras líquidas, que totalizaram R$ 1,2 bilhão, montante 57,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e 44,7% mais alto em relação ao quarto trimestre de 2013. Entre as razões para o incremento nas despesas estão os juros mais elevados, em função do maior endividamento da companhia e da elevação na Selic. A desvalorização do real frente ao dólar e o maior custo de hedge da companhia — em consequência do aumento do Certificado de Depósito Bancário (CDI), devido à alta na taxa básica de juros — também contribuíram para o desempenho negativo da operadora neste quesito.

Nos três primeiros meses do ano, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Oi totalizou R$ 2,95 bilhões, o que representou um incremento de 37,5% em relação a igual período de 2013. O indicador financeiro foi fortemente influenciado pela entrada no caixa de R$ 3,3 bilhões em recursos referentes à venda de ativos. Esse valor se refere às vendas do direito de uso de torres móveis e da GlobeNet (empresa de serviços de telecomunicações via cabos submarinos). Segundo informou a operadora, o impacto dessas vendas no Ebitda do primeiro trimestre foi de R$ 1,3 bilhão. Excluindo esses fatores não-recorrentes, o aumento do Ebitda foi de 5,9% na comparação ano contra ano.

“Os custos são mais competitivos do que os dos empréstimos bancários”, comparou o presidente da Oi, Zeinal Bava, referindo-se aos recursos obtidos com a alienação de ativos. Em seu relatório de resultados do primeiro trimestre, a empresa informou que o custo dessas operações fica entre 7% e 8%. Neste percentual estão embutidos custos, despesas, investimentos e efeitos tributários. “Vamos continuar trabalhando para monetizar nossos ativos”, acrescentou Bava.

A receita líquida da companhia entre janeiro e março apresentou queda de 2,3% na comparação com os primeiros três meses do ano passado, somando R$ 6,87 bilhões. A empresa terminou março com 11,55 milhões de linhas fixas (-1,7% frente ao quarto trimestre de 2013), 5,27 milhões de acessos de banda larga fixa (+0,4% na comparação com os três últimos meses do ano passado) e 828 mil clientes no mercado de TV paga (-0,1%). “Nosso negócio não é vender um serviço de cada vez, mas três. E, no futuro, quatro”, disse Bava. O percentual de residências com mais de um serviço da Oi subiu de 56%, no primeiro trimestre do ano passado, para 59% ao fim de março deste ano.

Na telefonia móvel, a base de clientes de planos pré-pagos cresceu 3,8%, ante o total do primeiro trimestre de 2013, somando 41,41 milhões de usuários. Já o segmento pós-pago apresentou expansão de 1%, na comparação anual, totalizando 6,72 milhões de clientes.

A receita média por usuário (Arpu, na sigla em inglês) do serviço móvel da Oi ficou em R$ 18,5, o que significou uma queda de 9,8% na comparação anual. Se por um lado a empresa perdeu com a redução das tarifas de interconexão móvel (Valor de Uso Móvel ou VU-M), esta retração foi compensada pelo aumento do nível de recarga do pré-pago e da receita de dados.

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