Vivo ainda estuda sua presença no leilão do 4G

Segundo Antonio Carlos Valente, um valor alto na outorga pode prejudicar investimentos. Para ele, a solução para o endividamento do setor não é uma questão de financiamento e sim de incentivos

Por marta.valim

Apesar de o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ter mostrado segurança quanto à participação das quatro grandes empresas de telecomunicações do Brasil — Vivo, TIM, Oi e Claro — no próximo leilão de 4G, marcado para agosto, o presidente da Telefónica Vivo, Antonio Carlos Valente, afirmou que a empresa ainda analisa o edital, antes de decidir sobre sua presença.

Valente ressaltou que um valor alto nas outorgas de leilões de frequência pode fazer com que os investimentos sejam mais lentos. O Ministério da Fazenda prevê arrecadar R$ 7,5 bilhões no leilão.

“No final, a implementação das redes é o que gera o valor para o serviço. Toda vez que o valor das licenças é alto, independente do destino, de alguma maneira a implementação das redes é sacrificada (...) O caso mais conhecido é o do 3G na Europa, quando as licenças foram vendidas”, exemplifica, sem comentar, no entanto, a previsão do governo brasileiro.

“O valor não deve ser comentado, porque não sabemos as outras características. A última licença do 4G vendida, dos 2,5 GHz, não somou nem R$ 3 bilhões”, completou o executivo da Telefónica. Valente preferiu também não falar sobre a possível entrada de uma quinta concorrente no Brasil.

Sobre a melhoria nas formas de financiamento, estudadas pelo governo, Valente disse considerar a cooperação “bem-vinda”, mas ressaltou que o financiamento nem sempre é a melhor solução. “Todas as empresas já têm seu nível de endividamento, e nem sempre o financiamento é o que vai resolver a questão. Muitas vezes, são os incentivos”, destacou.

Perguntado sobre o andamento das negociações para mudanças estruturais no controle da Vivo, que permitiriam que a empresa continuasse a ter participação na Telecom Italia, o executivo disse apenas que a companhia está dentro do prazo dado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que a Telefónica aponte um sócio para a Vivo, mas que nenhuma decisão foi tomada.

“O fato da Telefónica ter saído do conselho de administração da Telecom Itália é uma demonstração de absoluta boa vontade”, disse. Durante sua palestra no Seminário Internacional “A internet das coisas — Oportunidades e Perspectivas”, organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Valente falou sobre Águas de São Pedro, a 187 quilômetros de São Paulo, primeira cidade digital do Brasil. Segundo ele, o desafio foi conectar todos os sistemas na mesma rede. “Hoje todos os domicílios contam com internet de 25 MB e a localidade, com cerca de 3 mil habitantes, tem 4G”, destacou.

Sobre o crescimento do número de dispositivos conectados no país, que até 2020 deve chegar aos 50 bilhões, o executivo da Telefónica ressaltou que é preciso responder adequadamente aos problemas de infraestrutura. “Cada indústria tem sua necessidade particular, mas sem as respostas adequadas, não vamos seguir”. Também participaram da palestra, o diretor de Estratégia da Oi, Carlos Brandão, e o representante do IERC-IOT European Research Cluster, Pedro Maló.

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