Aluguel e estacionamento impulsionam Multiplan

A empresa de shoppings centers divulgou ontem resultados acima das expectativas dos analistas para o segundo trimestre de 2014, com crescimento de 33% no lucro líquido

Por marta.valim

A empresa de shoppings centers Multiplan divulgou ontem resultados acima das expectativas dos analistas para o segundo trimestre de 2014. O lucro líquido da empresa cresceu 32,7% na comparação anual, impulsionado pelas receitas de aluguel (+21,6%) — com a consolidação do portfólio e entrega de novas áreas — e estacionamento (+25%), além do recuo das despesas do período (-27,8%).

Em conferência com analistas, José Isaac Peres, presidente da Multiplan, destacou que o crescimento se deu mesmo com as dificuldades macroeconômicas enfrentadas e os vários dias afetados pelos jogos da Copa do Mundo, principalmente nas cidades que sediaram o evento. “Não deixamos de crescer, e alcançamos 15,2% de alta nas vendas no segundo trimestre”, completou.

“O mês de julho vem mais bem comportado, não mantém a exuberância de abril e maio, pois ainda sentiu o efeito da Copa, férias e volta às aulas. Vemos as vendas em julho mais lentas do que no segundo trimestre, apesar de continuarem a ser positivas. Estão longe de ser decepcionantes”, adiantou Armando D’Almeida, CFO e DRI da companhia.

Peres destacou o acréscimo de vendas de 91,8% no VillageMall, shopping inaugurado em dezembro de 2012 no Rio, que já tem projeto de expansão encaminhado, com a compra de um terreno do Walmart. “Estamos sendo muito demandados por marcas internacionais. O shopping tem só um ano e meio e não temos mais espaço. Vamos construir um conjunto de escritórios e a ideia é aproveitar as Olimpíadas e talvez integrar um hotel seis estrelas”, disse.

Além da expansão do shopping carioca, a empresa também anunciou a pré-locação do ParkShoppingCanoas, no Rio Grande do Sul, e o andamento dos projetos do ParkShopping Global, em São Paulo, e de um shopping em Jacarepaguá, no Rio. Em junho, a Multiplan entregou a sétima expansão do BarraShopping, também no Rio, adicionando 51 novas lojas. “Estamos entusiasmados com o Global. É um projeto multiuso, que nos dará oportunidades de crescer por muitos anos em São Paulo”, disse D'Almeida.

“O projeto de Jacarepaguá vem sendo traçado com a prefeitura do Rio há algum tempo e já ultrapassou as principais etapas. Ele deve ser aprovado nos próximos três meses”, adiantou Peres, sem, no entanto, dar detalhes da localização exata do empreendimento.

A análise da Ativa Corretora ressalta a alta de 10,1% no aluguel mesmas lojas (SSR) — resultado acima do primeiro trimestre do ano, quando o crescimento havia sido de 6,8% —, a alta taxa de ocupação, que atingiu os 98,4%, e ainda o crescimento de 9,4% nas vendas nas mesmas lojas (SSS) no período.

O analista do Banco Espírito Santo, Eduardo Silveira, foi na mesma direção. “A taxa de vacância do setor como um todo é baixa, o que mostra a resistência do negócio, mesmo com as expectativas ruins do mercado”, ressaltou.

Já o crescimento de 14,8% da receita líquida do período está de acordo com a meta, segundo análise do Santander, que recomenda a manutenção dos papéis da empresa. “Embora positivos, não vemos os resultados do 2T14 como representativos de uma mudança, considerando o cenário macroeconômico que permanece desafiador; assim, reiteramos nossa recomendação de manutenção”, apontou o relatório.

O banco aponta as melhorias nos aluguéis mínimos e a receita adicional de locação relacionada ao empreendimento Morumbi Corporate, em que área locada saltou para 65% do total, empreendimento também citado na análise do Itaú BBA. A meta, segundo o CFO da empresa, é chegar ao final do ano com 80% dos espaços alugados. “Esperamos alcançar renda de R$ 100 milhões com o projeto, o que deve acontecer nos próximos 12 meses”, completou o presidente da Multiplan.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação) teve crescimento de 25,6% na comparação com igual período em 2013, informou a empresa. Ainda segundo relatório da Ativa Corretora, o “custo médio ponderado da dívida continuou abaixo da Selic, permitindo que o ramp-up dos novos empreendimentos seja menos custoso”.

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