Ganho fiscal turbina lucro da Telefônica

Menor receita dos serviços de voz foi compensada por avanço no uso de dados no 2º tri. Receita operacional líquida somou R$ 8,6 bi

Por monica.lima

Impulsionado pelas receitas de dados, o negócio de telefonia móvel mais que compensou o encolhimento da receita do segmento fixo da Telefônica no segundo trimestre deste ano, de acordo com os dados divulgados ontem pela companhia. Entre abril e junho, a empresa apresentou receita operacional líquida de R$ 8,6 bilhões, montante 1,5% superior ao registrado no mesmo período de 2013. Já o lucro líquido da Telefônica cresceu mais de duas vezes no trimestre, na comparação anual, impulsionado por ganhos fiscais.

No fim de junho, a Telefônica tinha 10,9 milhões de acessos fixos em sua base, o que representa um incremento de 3,4% na comparação entre o segundo trimestre e o mesmo período de 2013. Apesar do incremento, a receita líquida da companhia com voz e acessos fixos caiu 10,8% na comparação entre o segundo trimestre de 2013 (R$ 1,56 bilhão) e o período de abril a junho deste ano (R$ 1,39 bilhão). Além da substituição no uso dos telefones fixos pelos móveis, a receita também foi impactada negativamente pela redução na taxa de assinatura básica que começou a vigorar em 4 de junho deste ano. E pela redução — determinada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — no valor da tarifa das chamadas entre aparelhos fixos e móveis, conhecida como VC.

No negócio de telefonia móvel, a receita operacional líquida subiu 5,1% na comparação anual, alcançando R$ 5,82 bilhões. O resultado favorável foi consequência da expansão na receita de dados e serviços de valor adicionado (SVA). Entre os fatores que mais contribuíram para esse desempenho, a Telefônica destacou a comercialização de placas e pacotes de dados, somada à penetração crescente dos smartphones. Atualmente, 58% da base móvel da companhia utilizam smartphones.

A receita média por usuário (Arpu) também cresceu. Passou de R$ 22,80, no segundo trimestre do ano passado, para R$ 23,40, no mesmo período de 2014 — um avanço de 2,3% no período. Mas, analisados separadamente, o Arpu de dados e o de voz apontam resultados distintos. Enquanto no serviço de voz o Arpu caiu 3,9% no período, no de dados houve expansão de 15,4%. “A tendência natural é de uma evolução nos serviços de dados, em substituição ao uso da voz”, resume Henrique Florentino, analista da corretora UM Investimentos. “Mas vai levar um tempo para que o consumo de dados compense a menor utilização do serviço de voz. Os serviços de dados ainda estão começando a engrenar”. Em teleconferência com analistas de mercado realizada ontem, o diretor geral da Telefônica Brasil, Paulo Cesar Teixeira, enfatizou que a empresa está empenhada em ampliar a penetração dos serviços de dados móveis entre os clientes de planos pré-pagos.

Teixeira destacou, ainda, a estratégia agressiva de expansão da rede de fibra ótica da Telefônica até a casa do usuário final, o que permite a prestação de serviços de IPTV (televisão via internet) e de banda larga de altíssima velocidade. O Fiber to the Home (fibra até a residência) é uma das maiores apostas da companhia — no fim de junho, a rede da operadora abrangia 2,9 milhões de residências endereçáveis (clientes potenciais do serviço). Desse total, 273 mil tinham acessos contratados junto à Telefônica. “A empresa apresentou crescimento expressivo nos serviços via fibra”, destaca Florentino. “Os acessos Vivo Fibra Banda Larga, por exemplo, vêm crescendo a uma taxa igual ou superior a 16% nos últimos cinco trimestres”. O analista da UM Investimentos ressaltou ainda que o serviço de TV via fibra da operadora vem se expandindo a taxas iguais ou superiores a 28% nos últimos cinco trimestres.

No cômputo geral, os acessos de banda larga fixa da Telefônica somavam 3,9 milhões de clientes no fim de junho, um incremento de 2,4% ante o segundo trimestre do ano passado. Entre abril e junho deste ano, 56% das adições foram de usuários que contrataram serviços com velocidade superior a 30 Megabits por segundo (Mbps).

O lucro líquido da companhia no segundo trimestre deste ano totalizou R$ 1,99 bilhão, um incremento de 118% em relação ao resultado positivo de R$ 914,2 milhões registrado no mesmo período de 2013. A expansão foi consequência — principalmente — de ganhos fiscais gerados pela “revisão das bases fiscais de certos intangíveis decorrentes de combinações de negócios, após a entrada em vigor da Lei nº 12.973”, segundo informou a companhia em nota. Oriunda da Medida Provisória 627, a lei promoveu mudanças tributárias sobre lucros no exterior de controladas de multinacionais que atuam no país. Antes formada por várias empresas distintas, a Telefônica Brasil realizou uma série de incorporações societárias — a última delas aconteceu no ano passado. Na prática, o efeito líquido positivo da Lei nº 12.973 sobre o lucro da Telefônica no trimestre foi de R$ 1,19 bilhão.

De janeiro a junho, o lucro líquido acumulado da companhia somou R$ 2,65 bilhões, o que significou um aumento de quase 54% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente foi de R$ 2,54 bilhões no segundo trimestre — aumento de 2% na comparação anual. Já a margem Ebitda recorrente permaneceu praticamente estável no período, com variação de 0,1 ponto percentual, atingindo 29,5%.

A operadora terminou junho com 94,9 milhões de acessos em sua base, volume 4,1% maior que o do mesmo período do ano passado. Desse total, 79,4 milhões eram acessos móveis, o que representou um crescimento de 4,1% em relação ao segundo trimestre de 2013. Ao final dos primeiros seis meses do ano, a Telefônica detinha uma participação de 28,8% no mercado brasileiro de telefonia móvel. A base de clientes pós-pagos aumentou 26,5%, terminando o trimestre com 26,1 milhões de acessos. Já o segmento pré-pago encolheu 4,2% na comparação anual, passando de 55,5 milhões de acessos para 53,1 milhões. A empresa atribuiu a retração — em grande parte — à migração de clientes de planos pré-pagos para o segmento pós.

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