São Paulo - Uma das principais referências na oferta de sistemas e de infraestrutura de tecnologia para a área de saúde, a americana InterSystems está reestruturando as suas operações. O esforço é parte de uma estratégia global para manter sua relevância nesse mercado e, ao mesmo tempo, diversificar a oferta. Responsável por 10% da receita global da companhia, a América Latina é um dos pilares dessa nova fase. E para levar à frente essa transição, a companhia planeja investir R$ 20 milhões na região até 2017. Grande parte desses recursos será destinada ao Brasil e ao Chile, países nos quais a empresa mantém uma operação direta na América Latina e onde vislumbra suas principais oportunidades de expansão.
“A matriz entendeu que era o momento de repensar a estrutura para impulsionar a participação em sua área de atuação e buscar também o crescimento em outros mercados, nos quais as iniciativas ainda são mais pontuais”, diz Carlos Eduardo Nogueira, diretor e principal executivo da InterSystems para a América Latina.
Uma das principais medidas é a divisão da operação em três unidades de negócios. A primeira área será voltada à oferta dos sistemas de gestão e integração de informações de redes de hospitais, clínicas e demais estruturas do setor de saúde. Na segunda divisão, a prioridade serão os projetos de prontuário eletrônico, que, entre outros recursos, centralizam todo o histórico dos pacientes. E, na terceira frente, o mote são as tecnologias mais voltadas ao desenvolvimento de aplicações, a partir da plataforma de bancos de dados da InterSystems, adotada por laboratórios e hospitais no Brasil. Nessa divisão, a ideia é expandir a presença em segmentos como finanças, varejo e telecomunicações. “A palavra por trás dessa mudança é foco. Hoje, com todas as ofertas mescladas, fica difícil estabelecer um Norte. A decisão de investimento acaba se diluindo. Com a reestruturação, vamos ter orçamentos e metas claramente definidas para cada divisão”, diz.
Segundo Nogueira, o processo de reorganização na operação brasileira ainda está em fase de ajustes e começará a ser colocado em prática entre setembro e outubro. A ideia é preparar a subsidiária para uma nova etapa de crescimento nos próximos três anos. Como parte desse esforço, o plano é ampliar em 50% o time local — que hoje conta com 60 funcionários — nesse intervalo. “Queremos dobrar a receita no mercado brasileiro até 2017, crescendo, em média, 25% ao ano”, afirma Nogueira.
Para o executivo, o cenário para essa projeção no país acompanha uma tendência global: a busca crescente por uma abordagem de saúde mais voltada à prevenção de doenças, em detrimento da postura tradicionalmente reativa do setor, seja ele público ou privado. Por trás dessa mudança, diz ele, estão os custos cada vez mais altos associados às práticas costumeiras do segmento. Nesse contexto, a base para essa virada são os projetos para a adoção dos prontuários eletrônicos. “Antes de tudo é preciso ter acesso a todo o histórico do paciente. Isso evita, por exemplo, que se gaste tempo e dinheiro com novos exames a cada consulta”, explica. No Brasil, o principal projeto da InterSystems nessa área está implantado no Distrito Federal. Com 5 milhões de prontuários eletrônicos e mais de 200 unidades de saúde — entre hospitais, postos, farmácias e laboratórios — integradas, a iniciativa trouxe benefícios como a redução de 40% nos gastos com medicamentos e de 50% nos pedidos de exames.
Na área de gestão clínica, um dos pontos da estratégia da InterSystems é fortalecer a oferta na iniciativa privada, o que inclui, entre outros fatores, as redes de hospitais próprios de seguradoras. “No setor privado, há uma demanda crescente pela gestão de pacientes crônicos — diabéticos, hipertensos —, que é a vertente que traz os principais custos”, explica.
Já na ponta da plataforma de banco de dados, a expansão para outros setores coloca a empresa em um mercado dominado por gigantes como Oracle, IBM e Microsoft. A aposta para ganhar participação é investir na oferta direta para provedores de serviços, com menos foco nos clientes finais. “Com a computação em nuvem, provedores como a Amazon estão ditando as regras do jogo e não os fornecedores. Nesse novo mundo, não há mais logotipos”, diz Nogueira.