Por monica.lima

O setor de vendas diretas movimentou cerca de US$ 180 bilhões no ano passado, US$ 30 bilhões somente no Brasil, onde a atividade de venda de porta em porta emprega 4,5 milhões de profissionais.
A perspectiva para o fechamento de 2014 é de aumento de 7% no volume nacional de negócios no país, mesmo com o efeito Copa tendo desacelerado o segmento no período das competições esportivas, informou Alessandro Carlucci, presidente da Federação Mundial de Vendas Diretas (WFDSA, na sigla em inglês).

Carlucci acrescentou, ainda, que o setor vem crescendo acima do Produto Interno Bruto (PIB) e supera os resultados do varejo, sem citar dados comparativos. Especificamente sobre o Brasil, ele destacou que a logística, assim como em outros setores, é um desafio para este mercado, mas não é um problema sem solução.

“Até por conta dos problemas de infraestrutura existentes, as empresas precisam intensificar ainda mais suas competências internas. No entanto, a venda direta tem uma vantagem e por isso ela se diferencia do e-commerce. Ela tem uma pessoa efetivamente no meio de uma negociação. Uma revendedora, ou consultora como gostamos de chamar, sempre trabalha a fidelização do cliente. O atendimento é personalizado. Se por algum motivo o produto encomendado por ela sofre algum atraso, em geral ela tem produtos em estoque na sua casa para atender a esse cliente. E se não tem, ela avisa sobre o atraso, sugere outras formas de entrega para o cliente. Esse atendimento é um diferencial do mercado”, afirma o executivo.

Ele destacou que o mercado latino-americano e brasileiro vem se destacando no setor de vendas diretas. O maior mercado ainda é a Ásia e o Pacífico, com 43%, seguido da América do Sul, com 19%, mesmo percentual da América do Norte. O uso de tecnologias aplicadas à venda direta vem modificando cada vez mais a forma como o setor está se desenvolvendo. Carlucci acredita na aceleração do mercado com novas tecnologias que permitam às empresas falar diretamente aos consumidores, assim como as redes sociais.

“Somos a rede social original. Mas hoje a tecnologia é fundamental para o fortalecimento da indústria de venda direta. Essa é uma ferramenta que as empresas cada vez mais estão usando no mundo. Elas estão se tornando cada vez mais digitais e conectando mais pessoas”, continua Carlucci.

O setor de cosméticos, que predomina no Brasil com 88% das empresas que fazem parte do mercado de venda direta, também tem importância no mercado mundial e corresponde a 38% das empresas atuantes no mundo neste segmento. Carlucci enxerga novos horizontes para este setor no Brasil.

“Empresas dos setores de serviços, alimentos, suplementos alimentares, artigos para o lar, começam a despontar no Brasil. Muitas companhias se perguntam por que não buscar a venda direta e avaliam a entrada neste mercado. A marca Cozinha da Sinhá, que vende objetos para o lar, é uma das start-ups do mercado de venda direta e é um dos exemplos. Cada vez mais veremos empresas de serviços entrando neste setor também. Nos Estados Unidos há até mesmo distribuidoras de energia que fazem negócios por meio da venda direta”, exemplifica o executivo.

Segundo Carlucci, a escolha do Brasil para sediar pela primeira vez o congresso de venda direta está relacionado justamente às perspectivas de crescimento do país no setor. O Brasil é o quinto maior mercado de vendas diretas no mundo.

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