Por bruno.dutra

Rio - O mais recente desdobramento do processo de fusão entre Oi e Portugal Telecom provocou ontem alta de 11,83% nas ações da companhia portuguesa na bolsa de Lisboa, além de impulsionar a subida nos papéis preferenciais (+6,66%) e ordinários (+4,65%) da Oi na BM&FBovespa. Por trás da subida nas cotações está a empresária angolana Isabel dos Santos, que, por meio da holding Terra Peregrin, fez uma oferta pública de aquisição (OPA) da PT SGPS — empresa que detém 25,6% do capital da Oi — no valor de € 1,35 por ação, num total de 1,21 bilhão de euros. Em fato relevante divulgado na manhã de ontem, a Oi classificou como “inoportuna” qualquer alteração nos termos da permuta de títulos da Rio Forte por ações da tele brasileira, operação essencial para viabilizar a fusão entre as companhias.

Entre os ativos da PT SGPS estão títulos com valor de face de 897 milhões de euros que não foram honrados pela Rio Forte, holding de ativos não financeiros do Grupo Espírito Santo (um dos acionistas da PT). O calote — ocorrido em julho — obrigou Oi e PT a reverem as condições da operação de fusão, ainda em andamento. Em documento disponível no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador do mercado de capitais em Portugal, a Terra Peregrin detalhou a oferta, listando uma série de condicionantes.

As condições incluem a autorização pela Assembleia Geral da PT SGPS de que a holding de Isabel dos Santos adquira uma participação superior a 10% das ações representativas do capital social da companhia portuguesa. E, também, a suspensão “até o 30º dia posterior à liquidação física e financeira da oferta, do processo de combinação de negócios” entre Oi e Portugal Telecom. Outro ponto presente na proposta é o fim da obrigação de a PT SGPS só poder adquirir ações da Oi ou da CorpCo (companhia resultante da fusão) por meio do exercício de opção de compra. A opção de compra de ações da Oi permite que, ao longo de um prazo de seis anos, a PT eleve sua participação na CorpCo para 37,3%, patamar previsto inicialmente antes dos problemas com a Rio Forte virem à tona.

Para analistas do Espírito Santo Investment Bank (Besi), a proposta apresentada pela empresária angolana tem chances “limitadas” de êxito, segundo noticiou o site do jornal português “Diário Económico”. De acordo com o periódico, um porta-voz de Isabel dos Santos negou que essa seja uma oferta hostil. “O objetivo final é a aquisição de uma participação relevante, mas minoritária e não de controle, no capital da Oi, permitindo a manutenção da unidade do grupo PT”, afirmou.

Apesar de ter alavancado a cotação dos papéis da PT SGPS, o prêmio de 11% em relação à cotação de fechamento registrada na última sexta-feira é baixo. Ontem mesmo as ações da Portugal Telecom terminaram o pregão em Lisboa no patamar de € 1,361. Na Bovespa, os papéis ordinários da Oi fecharam cotados a R$ 1,35 e os preferenciais, a R$ 1,28. “É difícil que a oferta da empresária angolana seja bem-sucedida”, reconheceu um analista de mercado que pediu para não se identificar. “Mas, para que ela consiga comprar a PT, seria necessário desfazer a fusão”. Embora os ativos da Portugal Telecom já tenham sido incorporados pela Oi, o processo de fusão ainda tem etapas em aberto. Na avaliação do especialista, a Oi poderia ser beneficiada caso a fusão não se concretize, já que até agora as incertezas em torno da operação tiveram forte impacto negativo sobre os papéis da companhia.

No documento publicado na página da CMVM, a Caixa Banco de Investimento é citado como intermediário financeiro da OPA de Isabel dos Santos. Controlada pelo governo português, a instituição financeira é o banco de investimento do grupo Caixa Geral de Depósitos. Já a PT SGPS é uma empresa privada. Procurada para comentar a oferta de Isabel dos Santos, a Oi optou por não se manifestar.

Você pode gostar