Por monica.lima

Foi dada a largada em uma nova corrida publicitária. As agências brasileiras já se preparam para a disputa de quais serão as primeiras marcas a anunciarem em vídeos no Instagram. Os boatos de que a rede social adotaria o formato de filme publicitário vem de longe, e desde o início do mês, usuários norte-americanos já podem ver esses anúncios nos seus feeds de notícia. A tendência, diz o co-CEO da F.biz, Roberto Grosman, é que a novidade — assim como os anúncios em imagem — desembarque por aqui já no primeiro semestre do ano que vem.

A exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos, o Instagram deve escolher os primeiros anunciantes, levando em conta a participação que as marcas já têm na plataforma e a interação com seus seguidores. “Estamos próximos tanto do Facebook, como no Instagram. Nossa busca é por fazer conteúdos muito bons para os nossos clientes para, quando a rede social abrir a plataforma, que escolham uma das nossas marcas”, ressalta Grosman, citando empresas como Motorola, Absolut, TRESemmé e Seda.

Nos EUA, entre as empresas que já criaram para a rede social estão Disney — que promove o filme “Big Hero 6” —, Lancôme, Banana Republic e Activision — com filme do game “Call Of Duty”. A rede social controla o conteúdo e exige vídeos exclusivos e que promovam o entretenimento, o que também deve acontecer por aqui.

Outro diferencial é que os vídeos tenham no máximo 15 segundos, e segundo o sócio da agência de conteúdo estratégico 14, Bruno Maia, as narrativas cada vez mais curtas são uma exigência da internet. “Os conteúdos das redes sociais ficam cada vez mais curtos, o que começou com os textos e agora chega a outros formatos”, diz ele. “Exigir os 15 segundos, nesse momento, pode ser bom, porque alguém tem que ditar uma regra, já que não há a certeza do que é mais efetivo”, completa.

O Instagram segue a tendência de outras mídias sociais que aderiram aos vídeos publicitários como Facebook, Twitter, Tumblr e Snapchat, que encontraram nos anúncios uma das melhores fontes de geração de receitas.

“O vídeo se consolida como um formato absolutamente fácil de ser consumido na internet. Mas é, ao mesmo tempo, um retorno a um formato que é campeão para publicidade, por mais se assemelhar à TV. Ele passa a ser ainda uma forma das agências mais tradicionais entrarem de vez no digital”, ressalta Sylvio Lindenberg, diretor de Integração Digital da Salles Chemistri, agência da Publicis Worldwide.

“A questão não é mais se é vídeo ou não. É vídeo. E a agência tem que pensar de que forma fazê-lo. O que quer falar? Para quem? Como vai falar? Quando? Por quê? E onde? É difícil de responder, porque estamos acostumados em fazer campanha e não conteúdo. Mas apenas se o conteúdo for relevante para o usuário, ele está preparado para recebê-lo”, complementa Maurício Tortosa, diretor de Estratégia da DPZ.

O cuidado aí, ressalta Grosman da F.biz, é respeitar as peculiaridades de cada plataforma. “Os vídeos são muito viralizáveis. Mas ninguém está preparado para o que está por vir, vamos ter um grande momento de experimentação, mas a publicidade brasileira é muito criativa”, finaliza o professor de Comunicação Comparada da ESPM Rio, Fabro Steibel.

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