Por bruno.dutra

São Paulo - Antes mais restrita ao mercado informal – e pouco confiável – de espaços como a rua Santa Ifigênia, em São Paulo, a compra e a venda de celulares usados vem se consolidando como um modelo de negócios promissor uma nova leva de start-ups no país. Idealizada na Argentina, a Trocafone é o mais recente exemplo dessa frente. A novata acaba de receber um aporte de US$ 1,1 milhão liderado pela Wayra, aceleradora do grupo Telefónica, e planeja agora usar o mercado brasileiro como o marco inicial de sua expansão para a América Latina.

“A ideia é dar uma segunda vida para esses aparelhos e oferecer segurança tanto para quem vende como para quem compra esses dispositivos, além de facilitar o acesso das classes emergentes às novas tecnologias”, diz Guillermo Freire, fundador e executivo-chefe da Trocafone. “Nosso foco é exclusivo na América Latina, pois é a região onde esse modelo faz mais sentido. E juntamente com o tamanho do mercado, o Brasil é o país no qual essa necessidade está mais clara”, afirma. Esse segmento vem se consolidando como uma alternativa às trocas constantes de celulares e ao desafio de dar uma destinação correta aos modelos mais antigos.

A partir da rodada de investimentos – a primeira da Trocafone -, a companhia está estruturando seu escritório no Brasil e lançando oficialmente o serviço no país. Desde maio, a empresa já operava com uma versão menos robusta da oferta. Os planos em curto prazo incluem dobrar a equipe formada atualmente por dez colaboradores, especialmente nas áreas de atendimento e de marketing, bem como investir na divulgação em mídias digitais.
Freire destaca que o aporte da Wayra traz vantagens como o conhecimento e os contatos da Telefônica/Vivo no mercado local. A busca de parcerias é justamente um dos centros da estratégia para ganhar terreno no país.

Nessa frente, o primeiro foco será costurar acordos com varejistas e, em médio prazo, com as operadoras de telefonia. A prática de aceitar aparelhos usados como parte do pagamento de novos dispositivos é uma tendência crescente nesses setores e encontra exemplos em empresas como a Fnac, a própria Telefônica/Vivo e a Claro, que fechou recentemente um acordo com a Apple para oferecer descontos aos usuários na troca de modelos antigos do iPhone pelo iPhone 6. “Por outro lado, os varejistas não têm uma destinação ou um canal de revendas para esses aparelhos, o que abre espaço para negociações”, diz Freire.

A Trocafone trabalha com a compra e revenda das principais marcas de celulares. A empresa prevê incluir tablets e outros dispositivos em suas operações, à medida que consolidar os negócios no país. No modelo da companhia, os interessados acessam o site da Trocafone e encontram uma série de filtros para descrever as condições do dispositivo em questão, bem como a opção para o recebimento do pagamento. Estabelecido o preço e concluída a transação, a Trocafone oferece um serviço de frete grátis para a retirada do aparelho.

Antes de serem colocados para revenda, os aparelhos passam por um processo de recondicionamento. Concluída essa etapa, os dispositivos podem ser adquiridos pelo próprio site – com as mesmas condições de frete grátis e garantia de 90 dias – ou na própria loja física do Trocafone, situada em São Paulo. Em média, diz Freire, os celulares têm entre 6 meses e 12 meses de uso, e são vendidos por um valor até 40% menor em relação a um modelo equivalente e novo.

Com foco inicial mais voltado aos consumidores finais, a Trocafone também já está desenvolvendo iniciativas junto ao mercado empresarial. Nesse segmento, a prioridade será investir em contratos com companhias de pequeno e médio portes. “Vamos dar atenção especial às companhias que têm entre 20 e 50 funcionários. Esse perfil de empresa tem a política de trocar seu lote de aparelhos todos os anos”, observa.

Até o fim do ano, a Trocafone tem como meta transacionar 1 mil aparelhos por mês. Após a estruturação da operação brasileira, o próximo passo da empresa é lançar, em 2015, o serviço na Argentina.

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