Com aquisição de fatia de 10% da francesa, por R$ 1,8 bi, Abilio retorna ao setor supermercadista, após saída do Pão de Açúcar
Por bruno.dutra
Rio - O empresário Abílio Diniz, juntamente com o CEO do grupo Carrefour, Georges Plassat, confirmou ontem, em conferência com jornalistas, em São Paulo, o investimento de R$ 1,8 bilhão, por meio do Península Participações — fundo de investimentos do empresário e sua família, onde ele atua como Chairman —, para aquisição de 10% da subsidiária brasileira do Grupo Carrefour.
Com este movimento, Diniz retorna ao varejo supermercadista, mais de um ano depois de sua saída do concorrente — e agora rival — Grupo Pão de Açúcar. O processo de saída de Diniz da companhia fundada por seu pai começou em 2012, com a transferência do controle ao grupo francês Casino.
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“Esse é um momento especial da minha vida profissional e pretendo ser feliz nesse momento. O passado é passado. E o presente é o Carrefour. Agora, o lugar de gente feliz é aqui”, afirmou Abilio Diniz, usando o slogan da concorrente para se referir ao seu novo momento na francesa.
Com o aporte feito no Carrefour Brasil, a Península passa a ter dois assentos no Conselho do Carrefour no país, um deles ocupado por Eduardo Rossi, CEO da empresa de investimentos. O outro assento será do próprio Diniz.
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“Vou procurar contribuir o máximo nos comitês de RH e Estratégia da empresa. Pela governança corporativa, vamos ajudar o Carrefour no que for preciso. Queremos que o Carrefour seja a melhor operação de distribuição no Brasil e referência mundial”, destacou Diniz.
Pelo acordo, a Península poderá chegar, em cinco anos, a ter até 16% de participação na subsidiária brasileira do grupo francês, avaliada R$ 20,4 bilhões. O concorrente GPA, que lidera o setor no país, está avaliado em R$ 25,6 bilhões.
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Abilio disse que considerou justo o preço pago pela fatia do Carrefour no Brasil e aposta na valorização do negócio no futuro. Além do investimento no Carrefour Brasil, ele tem também de 2,4% das ações do Carrefour listadas na França. O Carrefour no Brasil fechou 2013 com vendas de R$ 34 bilhões.
Georges Plassat, Chairman e CEO do grupo Carrefour, disse que o negócio com o Península é um passo importante para o crescimento da subsidiária brasileira.
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“Abilio Diniz é o melhor parceiro para apoiar nosso crescimento. O acordo que fechamos é uma demonstração clara do compromisso de longo prazo que temos com o Brasil, nosso segundo maior mercado”, disse Plassat, acrescentando que apesar de terem aparecido outros interessados, dentro de plano de busca por investidores externos, a companhia fez a escolha por Diniz e pelo Península.
Plassat disse, ainda, que a injeção de recursos do Península no Carrefour não muda, nesse momento, a previsão de inaugurações para 2015, cuja estimativa é de 20 lojas novas. Já quanto a um possível IPO no Brasil, o executivo francês comentou que “as janelas para um IPO não estão abertas hoje”, e que tudo dependerá das condições de mercado no Brasil.
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A atuação de Diniz o permitirá trabalhar com todos os formatos existentes do Carrefour no Brasil. Hoje, a companhia tem 102 hipermercados, 41 supermercados (chamados de Carrefour Bairro), quatro lojas da bandeira Express, uma unidade do Supeco (atacarejo), 11 unidades do Atacadão e mais 20 centrais de atacado (que faz entregas para empresas).
“Minha intenção é ajudar e tornar o que está bom, melhor. Mas não vou fazer milagres. Hoje, nem sei falar sobre margens. Ser o maior será consequência”, disse.
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Diniz, que é presidente do Conselho de Administração da fabricante de alimentos BRF, permanecerá no cargo, mesmo com a nova posição no Carrefour, onde também será membro do Conselho. Segundo ele, não há conflito nas duas posições que ocupa nas empresas.
“Não há conflito e não foi necessário ir ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, disse.
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Marcos Gouvea, diretor geral da GS&MD - Gouvêa de Souza, diz que o movimento do Carrefour dá mais adrenalina ao setor.
“O Carrefour deverá rediscutir formatos de lojas, canais de vendas, marcas próprias. Sem contar que haverá uma competição mais acirrada. O Carrefour vai querer ser mais agressivo e competitivo e acelerar o passo em um mercado que terá cada vez mais os cinco maiores grupos aumentando sua participação no bolo de vendas no país”, diz.