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Varejistas oferecem parcelamento maior das compras na volta às aulas

Com aumento de 8% nos tributos dos itens que compõem as listas de material escolar, varejistas de papelaria projetam crescimento

Por bruno.dutra

Rio - A carga tributária vai tornar mais pesada no bolso dos pais a compra de material escolar este ano. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), os impostos em itens como uma caneta chegam a 47% e passam dos 35% em um caderno. Na conta final, o consumidor vai pagar 8% mais em 2015 na lista de seus filhos. Mesmo assim, a expectativa de vendas é das mais otimistas, seja pelo varejo ou por parte da indústria. Os meses de janeiro e fevereiro são considerados o “Natal” do segmento. Um dos motivos para boas vendas, além da facilidade de parcelamento que o varejo está oferecendo, vem do aumento da classe C nos bancos escolares, sobretudo de jovens e adultos, uma parcela de aproximadamente 46 milhões de pessoas.

A Kalunga, varejista do setor de material escolar e de escritório, espera um aumento de 20% nas vendas de produtos escolares este ano, na comparação com 2014. Para estimular as vendas, a empresas está permitindo o parcelamento em até 12 vezes nas compras acima de R$ 150.

“Estamos verificando um aumento na procura pelo material escolar desde a primeira semana de janeiro. O consumidor de fato está com o cinto mais apertado e o parcelamento é uma alternativa para cumprir com este tipo de compra, que é obrigatória. Nossa expectativa de vendas de 20% é otimista e deve ser a mesma para o ano de 2015 como um todo”, explica Pimenta.

Além da venda parcelada, a Kalunga vai repetir este ano uma campanha em sua lojas onde o consumidor ganha um real por quilo de cadernos usados. Estes cadernos vão para a reciclagem, distribuídos para cooperativas.

“No ano passado, arrecadamos 49 milhões de toneladas e, este ano, a previsão é de chegarmos a 60 toneladas. Os clientes participam ativamente e uma parte do produto reciclado é usado na nossa fábrica de cadernos, a Spiral”, diz Pimenta. A Spiral, instalada no bairro da Mooca, na capital paulista, é uma empresa que faz parte da Kalunga e produz a linha marca própria da varejista, além de oferecer produtos licenciados. Com 134 lojas físicas, vendas por internet e telefone, a Kalunga fechou o ano de 2014 com R$ 1,778 bilhão em faturamento. Para 2015, estão previstos 20 novos pontos de venda e um faturamento de R$ 2 bilhões.

A americana Staples, concorrente da Kalunga e que até então vendia apenas pela internet no Brasil, também decidiu oferecer a opção de parcelamento em até dez vezes na compra de material escolar. A rede abriu no ano passado uma loja física no Market Place, na capital paulista. De acordo com Gonzalo Santander, diretor de Merchandising e e-commerce da Staples na América Latina, a previsão é de aumento de 130% nas vendas online dos produtos escolares entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015. Santander se baseia no desempenho do ano passado,quando foi registrado um aumento de 142% nos negócios com produtos escolares. Para ele, o e-commerce facilita a vida de quem precisa de conveniência. Com 65 mil clientes cadastrados em seu site, a marca, presente em 65 países, movimentou US$ 65 bilhões em vendas em 2014.

Ricardo Carrijo, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae), afirma que os artigos escolares poderiam ter um custo menor para o consumidor, se projetos que reduzem a carga tributária da cadeia produtiva e em algumas situações zeram tributos, como o Cofins, fossem aprovadas.
“É contraditório que no discurso pela educação o material escolar tenha tributos tão altos. Por ser um item fundamental para que os alunos possam estudar, a população vai às compras. Mas é possível baratear os custos”, afirma ele. A indústria movimenta aproximadamente R$ 8 bilhões por ano com material escolar no país.

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