ADM prepara investimento pesado no Porto de Santos

Mesmo prevendo diminuição no ritmo de expansão do agronegócio, a empresa vai destinar recursos para terminais portuários em São Paulo e no Pará

Por monica.lima

Rio - A norte-americana Archer Daniels Midland (ADM), gigante do agronegócio com 33 mil empregados e atuação em 140 países, vai investir pesado em seus terminais nos portos de Santos (SP) e Barcarena (PA) ao longo deste ano. Apesar do cenário de desaceleração econômica no país, a companhia trabalha com a perspectiva de expansão do agronegócio este ano, num ritmo inferior ao de 2014 e 2013. Mesmo com a perspectiva menos favorável, a empresa confirmou ainda a manutenção dos investimentos no complexo de produção de proteína de soja — orçado em US$ 250 milhões — que está em construção no município de Campo Grande (MS).

“A partir da renovação da nossa concessão portuária, que foi efetivada no fim de janeiro, vamos fazer um grande investimento no porto de Santos”, afirmou Valmor Schaffer, presidente da ADM América do Sul, sem informar valores. “Estamos também no processo de fazer um investimento superior em termos de valor no nosso porto em Barcarena, no Pará”. Anteontem, a ADM informou que vai quadruplicar a capacidade anual do terminal em Barcarena, que passaria de 1,5 milhão de toneladas para seis milhões de toneladas. O terminal privado será operado pela joint venture formada pela ADM e a pela Glencore, multinacional da área de commodities.

Schaffer trabalha com uma perspectiva positiva para o agronegócio brasileiro no longo prazo, apesar das cotações de commodities terem mantido a tendência de queda no mês passado. De acordo com o Índice de Commodities Brasil(IC-Br), divulgado mensalmente pelo Banco Central, em janeiro os preços de produtos primários negociados no mercado internacional recuaram 5,14%, na comparação com dezembro de 2014. “A queda nos preços das commodities, de alguma forma, não na totalidade mas parcialmente, teve um offset (compensação) na melhoria do dólar”, lembra Schaffer, referindo-se à valorização da moeda norte-americana frente ao real.

Com mais de 4.300 empregados no país, a ADM tem quatro instalações para processamento de soja no Brasil, uma usina de cana de açúcar que produz etanol e mais de 40 silos. A empresa comercializa as marcas de óleo de soja Concórdia e Corcovado. A multinacional é dona, também, da maior unidade produtora de biodiesel instalada no país. Segundo Schaffer, embora a proporção de biocombustível adicionado ao diesel mineral tenha aumentado no ano passado, a tendência para o mercado brasileiro é de uma consolidação na ponta produtora. “A utilização da capacidade instalada nacional está hoje abaixo de 60%, na média”, diz o CEO da companhia para a América do Sul.

No ano passado, o Governo Federal, que regula o mercado, autorizou a elevação de 5% para 7% no percentual de biodiesel misturado ao diesel mineral. O aumento fez crescer a capacidade instalada do setor. “Obviamente, [o percentual de 7% de mistura] trouxe uma demanda nova, que acabou melhorando a performance das empresas mais integradas, aquelas que produzem desde a soja até o óleo e o biodiesel. Essas empresas conseguem ter um resultado melhor nesse negócio”, acrescenta Schaffer. Com uma estrutura de produção integrada verticalmente, a ADM usa atualmente cerca de 80% da capacidade instalada de sua planta produtora de biodiesel.

Schaffer acredita que futuramente o Governo Federal vai aumentar para 10% a mistura do biodiesel no diesel mineral. “O que vejo é uma possibilidade de consolidação do setor de produção. O fato de haver um excesso de capacidade industrial só vai trazer essa consolidação, um número menor de produtores”, argumenta.

Na área de etanol, castigada pelo fechamento de dezenas de usinas nos últimos anos, afetadas pelo endividamento e pelo preço pouco competitivo do combustível frente à gasolina, a ADM mantém uma planta industrial em Minas Gerais. Schaffer não fala em venda da unidade, apesar de no passado já terem circulado no mercado informações de que a corporação iria se desfazer da usina. “Nesse momento nós consideramos que a nossa participação nesse negócio está de bom tamanho”, limita-se a dizer o executivo.

No mundo, a ADM soma mais de 460 unidades voltadas para a compra de culturas agrícolas, além de 300 instalações de processamento e 40 centros de inovação.

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