Salton diversifica produção com mais destilados

Após lançar sua marca de uísque, empresa conhecida por vinhos e espumantes prepara entrada nos mercados de vodcas e ‘soft drinks’

Por monica.lima

Rio - Conhecida por seus espumantes e vinhos, a brasileira Vinícola Salton está diversificando seu portfólio e apostando em outras bebidas como os destilados. A fabricante do conhaque Presidente lançou recentemente seu malte uísque Golden King e promete levar ao mercado novos destilados, como vodcas, ainda em 2015, e os chamados “soft drinks”, no ano que vem.

A fabricação desses produtos, explica o diretor-presidente da empresa, Daniel Salton, só será possível graças à nova planta da Salton em Jarinu (SP).

Novos produtos, maiores investimentos em marketing e crescimento do consumo de seus principais itens, os espumantes — a empresa possui 40% de participação de mercado no segmento — devem ajudar a companhia do Rio Grande do Sul atingir sua meta de crescer 5% em 2015. Em 2014, a Salton faturou cerca de R$ 307 milhões.

“Agora temos maior capacidade de produção e estocagem. Fizemos pesquisas para consultar os produtos que o mercado está consumindo hoje. O jovem está procurando por novidades, como uísque e vodcas com sabor”, destaca Salton. “Podemos afirmar que devemos ter 7% de crescimento em espumante. Já o moscatel deve crescer mais, chegando a 10%. O brasileiro está conhecendo melhor a bebida”, acrescenta ele.

Segundo o presidente da Salton a diversificação vai chegar também aos seus produtos mais conhecidos, as linhas de vinhos e espumantes. Há cinco anos, além da planta de Tuiuty, no interior de Bento Gonçalves (RS) — que é a sede e trabalha com a produção de vinhos, espumantes, frisantes e sucos de uva —, a Salton conta com a unidade de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, que já recebeu R$ 22 milhões em investimentos, e permitiu uma maior diversificação das uvas utilizadas na fabricação de seus produtos, hoje mais de 60 rótulos.

O fraco desempenho da economia brasileira não assusta a companhia. “Já passamos por fases bem piores. Sou um cara otimista e enxergo as oportunidades. Sempre tem alguém querendo comprar”, pondera Daniel Salton.

Canais de venda e crescimento das exportações

Com os supermercados como principal canal de vendas — de 65% a 70% das bebidas fabricadas pela Salton vão para as gôndolas — uma das apostas para crescimento está no on trade, que engloba estabelecimentos como restaurantes, resorts e hotéis.

“Estamos com um trabalho forte de busca de novos mercados no on trade. O turista não quer tomar vinho francês aqui, quer os brasileiros”, afirma Daniel Salton.

Além de ajudar nas vendas internas, já que os brasileiros tendem a consumir mais itens nacionais, a alta do dólar deve ajudar também a Salton a exportar mais. Hoje, as vendas externas representam apenas 2% dos negócios em volume. A meta é chegar aos 5% nos próximos cinco anos.

“Temos que criar nossa identidade e falar: ‘esse é o vinho brasileiro’. Não é igual ao vinho chileno, e nem é igual ao francês ou ao italiano”, diz Salton.

Além de Reino Unido, China, Japão, Canadá e Austrália, uma das grandes apostas da Salton é no mercado dos Estados Unidos, que possui um consumidor mais receptivo a novidades e que consome nove litros per capita de vinhos ao ano.

Atualmente, a Vinícola Salton possui uma capacidade instalada de produção de 24 mil garrafas de vinho por hora; 14 mil unidades/hora de espumantes e 7 mil garrafas/hora de suco de uva.

Empresa investe também em tecnologia e equipamentos

Vinícola brasileira mais antiga ainda em atividade, a Salton investe também em tecnologia e é a primeira do Brasil a utilizar a colhedora automotriz para a safra 2015, em Santana do Livramento, na região da Campanha Gaúcha.

Segundo a empresa, a colhedora adquirida na França permite uma colheita mais rápida e eficiente, preservando a qualidade das uvas. Com a nova tecnologia, a gestão e o controle das uvas passam a ser automatizados.

Atualmente, 90% das uvas utilizadas para a fabricação dos rótulos da companhia vêm de produtores externos, alguns deles já parceiros da Salton há muitos anos. Os outros 10% vêm de plantações próprias.
Além da produção dos destilados e, futuramente, dos soft drinks da Salton, a planta de Jarinu (SP) foi projetada para o desenvolvimento de novos produtos e aplicação de novas tecnologias. Na unidade, novos equipamentos e a compra de um tanque para guarda de álcool farão parte dos investimentos da Salton.

No total, os investimentos, em Santana do Livramento e Jarinu, serão de cerca de R$ 2 milhões.

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