Dafiti une virtual ao offline com lançamento de pop-up store

Varejista online de moda inaugura loja física temporária em São Paulo e anuncia lançamento de marcas próprias

Por monica.lima

São Paulo - Aqui e ali, códigos binários e outros ícones estilizados do universo digital pontuam o espaço de 400 metros quadrados instalado em um dos endereços mais nobres do consumo em São Paulo. Mais que um capricho de decoração, o projeto simboliza o novo passo da Dafiti para reforçar sua posição como um dos principais nomes do e-commerce de moda no Brasil e na América Latina. A companhia inaugura hoje sua primeira loja física, localizada na Rua Oscar Freire. Com um aporte de R$ 1 milhão, a Dafiti Live investe no modelo conhecido como pop-up store e funcionará, a princípio, até o fim de junho. A investida contempla ainda o lançamento de uma grife própria de moda feminina e masculina, calçados e acessórios, batizada de Dafiti Collection.

“Essa é a nossa investida para invadir o coração da moda em São Paulo. Estamos mesclando os universos online e offline para atrair e convencer consumidores que hoje não compram moda pela internet”, afirmou Malte Huffmann, sócio e cofundador da Dafiti, durante o lançamento da loja temporária. “Vamos nos beneficiar dessa tendência de um consumidor cada vez mais multicanal”, observou.

A Dafiti Live coloca em prática essa experiência multicanal, também conhecida no setor como omnichannel. A loja funcionará como um showroom, no qual os consumidores poderão conhecer e experimentar as coleções ofertadas, um dos desafios comumente associados ao varejo virtual de moda. As compras e o pagamento da transação, no entanto, serão realizados pelo aplicativo da companhia, com recursos de leitura de tags e de QR Codes. A entrega das peças adquiridas ficará sob responsabilidade da Dafiti, por meio de um serviço expresso — em alguns casos, no mesmo dia da compra — e com frete grátis.

Com um estoque de 1,5 mil produtos, o plano da Dafiti é renovar as coleções a cada 15 dias, dentro do conceito de fast fashion. Cerca de 60% dos itens serão da grife Dafiti Collection e os 40% restantes envolverão peças e produtos de outras marcas. Ao mesmo tempo, a abordagem abre a possibilidade de os vendedores recomendarem outros produtos disponíveis no site da Dafiti, que hoje oferece um catálogo com mais de 80 mil itens diferentes.

Segundo Huffmann, a Dafiti não descarta estender o prazo de funcionamento da loja para além do período inicialmente estipulado e replicar o modelo em outros pontos de venda no país. O executivo, no entanto, não entrou em detalhes sobre novos projetos nessa direção. A expectativa da empresa é obter o retorno do investimento realizado na loja física durante o período previsto para essa primeira iniciativa. De acordo com a varejista, uma loja desse porte na rua Oscar Freire fatura entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões por mês.

A busca por ampliar as vendas não é necessariamente o principal objetivo da Dafiti com a nova loja. “A Dafiti Live traz muitos ganhos em termos de posicionamento de marca e de branding. A ideia é estar em todos os pontos de contato com o consumidor, sejam eles offline, online, por computadores ou dispositivos móveis”, afirmou Malte Horeyseck, outro sócio e fundador da empresa.

O executivo também destacou o lançamento da grife da empresa. Até então, a Dafiti possuía 12 marcas próprias, mas que não levavam o nome da companhia. A Dafiti Collection contará com oito marcas próprias, sendo quatro femininas, duas masculinas, uma de calçados e uma de acessórios, todas elas desenhadas por uma equipe interna de 15 estilistas. O plano da companhia é lançar de 8 mil a 10 mil produtos em cada coleção. “As marcas próprias nos permitem trabalhar com margens maiores e preços mais acessíveis. Nossa previsão é de que essas linhas tenham uma participação de 30% a 40% da nossa receita no longo prazo”, disse Horeyseck.

Os dois novos projetos integram uma estratégia que começou a ser reforçada pela Dafiti no início de 2014. Com foco em pilares como aprimorar a experiência do cliente, o plano envolveu investimentos na oferta de conteúdo e curadoria de moda, além da reformulação do site da companhia, a criação de novos recursos de navegação para os consumidores e a melhoria da infraestrutura tecnológica e dos processos logísticos da companhia. “Com essas ações, tivemos um aumento de 500% no engajamento dos consumidores e de 10% na taxa de conversão”, afirmou Huffmann.

O executivo disse que as perspectivas da Dafiti para 2015 são positivas, mesmo em meio ao ambiente macroeconômico pouco favorável. “Nosso crescimento virá do aumento da participação do e-commerce nas vendas totais do varejo de moda no país. Já temos uma massa crítica, mas esse índice hoje no Brasil é de apenas 3%, enquanto em mercados como Alemanha e Estados Unidos esta fatia está na faixa de 15% a 18%. Moda já é a maior categoria do e-commerce brasileiro e ainda há muito espaço para crescer”, afirmou. “O Brasil deve atingir esse nível em cinco ou seis anos”, acrescentou Horeyseck.

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