Com dólar alto, setor de brinquedos tem planos de ampliação local

Segundo a Abrinq, boa parte das fábricas nacionais está investindo em aumento da capacidade. Objetivo é crescer em meio à redução de importação dos chineses

Por diana.dantas

Quando o dólar ultrapassou a barreira dos R$3 no ano passado, as empresas do setor de brinquedos acenderam a ‘luz amarela’ e colocaram o pé no acelerador para tirar do papel os planos de ampliar suas fábricas e assim aumentar a produção nacional. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, boa parte das 370 empresas fabricantes de brinquedos do país está investindo no aumento da capacidade. Os empregos na indústria cresceram de 29.268, em 2013, para 30.675 no ano passado, segundo pesquisa que será lançada hoje pela entidade.

“Não tem jeito. Ou a gente expande ou a gente expande. As fabricantes seguem investindo ao menos 3% do faturamento nisso. Vivemos um momento importante para a nossa indústria e estou feliz com o dólar na casa dos R$ 3. O setor vai em busca do aumento da produção nacional e do incremento de nossa participação no mercado local — hoje de 55% —, para 60% este ano. Vamos aproveitar o momento para aumentar a nossa competitividade”, comenta Costa.

Dono da fabricante de brinquedos de pelúcia Long Jump, Vagner Lefort está mudando de endereço, depois de investir na ampliação de sua fábrica em São Paulo, que sai do bairro da Lapa para Barueri ainda nesta semana. O investimento, cujos valores ele não revela, foram pensados quando a moeda americana começou sua trajetória de elevação.

“Queremos chegar a 70% da nossa produção nacional e uma fabricação de 60 mil bichos de pelúcia por mês em uma primeira etapa. Hoje são 55 mil. Ainda temos alguns insumos importados, como como resinas, linhas e tecidos. Apostamos em uma alta de 30% no nosso faturamento, projetando o dólar em R$ 3,15”, diz ele, que acredita que o preço dos produtos nacionais deve aumentar para o consumidor entre 5% a 7%, enquanto os importados deverão sofrer uma alta de entre 20% e 30%.

Apesar de todo o otimismo da indústria de brinquedos, há pedras no caminho. Uma delas é a indústria de plástico, matéria-prima usada em praticamente todos os brinquedos.</CW> “Este ano, esperávamos a queda nos preços dos insumos plásti<CW-14>cos por conta da redução do preço do petróleo no mercado internacional. Mas o setor colocou justamente o câmbio como justificativa para não reduzir preços. Além disso, entra na conta o custo de energia e outras variáveis da economia. Mesmo assim, projetamos alta de 10% no faturamento”, destaca Carlos Tilkian, presidente da Estrela, que vai reduzir de 30% para menos de 25% sua produção com parceiros chineses.

Segundo Tilkian, várias linhas de produtos da Estrela são 100% nacionais, caso das bonecas. Para ele, o cenário de dólar alto pode ajudar a aumentar a competitividade local, mas está longe de ser um caminho para as exportações.

“A volatilidade é um fator prejudicial a qualquer planejamento de exportação. Acredito que poderemos pensar nisso a partir de 2016”, comenta.

Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), afirma que a alta do dólar, por si só, não tem força suficiente para sustentar um horizonte mais concreto para setores como o de brinquedos.

“São dois momentos opostos e um anula o outro. A desvalorização do câmbio obviamente aumenta a competitividade local e acaba sendo positiva. Mas, por outro lado, já se percebe as desaceleração do emprego e o declínio da massa de rendimentos. Os impactos positivos são mitigados pelo comportamento da economia e este não será um ano de consumo. Mas o ciclo de investimento é importante para gerar renda e movimentar a economia à frente”, diz Felisoni.

A gangorra entre dólar alto e economia em baixa não parece tirar o otimismo do presidente da Abrinq, que hoje abre a 32ª edição da feira do setor, em São Paulo.

“Não vivemos na ilha da fantasia. Mas esse é o momento de colocar o chinês na sola do sapato do brasileiro e crescer internamente. O setor movimentou R$ 8,5 bilhões em 2014 e terá crescimento de 15% este ano”, acredita Costa.

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