Mulheres alemãs encontram espaço de comando nas startups

As mulheres fundaram 39% das 775.000 novas empresas do país em 2012, segundo dados do Ministério da Economia. Esse total contrasta com o de apenas 6% de mulheres que ocupam cargos em conselhos de gestão e 22% com assentos em conselhos de supervisão de empresas que compõem o índice DAX

Por marta.valim

Franziska von Hardenberg realizou um sonho de criança quando, dois anos atrás, se tornou chefe de si mesma abrindo um negócio próprio de venda de flores.

Hoje ela emprega 15 funcionários em tempo integral e 60 em meio período para despachar flores frescas recém-cortadas para a Alemanha e a Áustria, com uma média de cerca de 5.000 entregas por mês.

“Eu queria tomar minhas próprias decisões, dirigir com ideias próprias e trilhar meu próprio caminho”, disse Hardenberg, em entrevista, de Berlim. “Em uma grande empresa corporativa isso é muito difícil”.

Com 30 anos, ela faz parte de um número cada vez maior de mulheres na Alemanha, a maior economia da Europa, que encontram melhores oportunidades no empreendedorismo do que nas salas de reuniões das empresas.

As mulheres fundaram 39% das 775.000 novas empresas do país em 2012, segundo dados do Ministério da Economia. Esse total contrasta com o de apenas 6% de mulheres que ocupam cargos em conselhos de gestão e 22% com assentos em conselhos de supervisão de empresas que compõem o índice DAX, segundo o site do ministério.

Provedores de crowdfunding como a Seedmatch GmbH, maior plataforma para microinvestidores da Alemanha, estão tornando cada vez mais possível que as mulheres iniciem um negócio por conta própria.

Hardenberg coletou 100.000 euros (US$ 129.660) entre 175 investidores em apenas 93 minutos com a plataforma Seedmatch para criar a Bloomy Days GmbH, em maio de 2012, após moldar seu plano de negócios na incubadora de startups Rocket Internet GmbH, com sede em Berlim.

Fome crescente

Criada em 2011, a Seedmatch financiou 68 projetos e ajudou a levantar 19 milhões de euros para empreendedores, de acordo com seu site.

“Há uma fome empreendedora crescente”, disse Tom Kirschbaum, diretor de operações dos aplicativos Waymate e Allryder, de Berlim, que são desenvolvidos para servir como navegadores em viagens de longa distância e em ambientes urbanos. “As mulheres jovens se sentem tentadas a seguir esse caminho uma vez que sabem como ele é e notam que outras mulheres empreendedoras já estão administrando suas próprias empresas de forma bem-sucedida”.

Lea Lange, de 27 anos de idade, diretora-geral de uma plataforma on-line de arte de vanguarda e de moda, seguiu um caminho parecido. Ela trabalha com dois homens, cofundadores da firma, para administrar o Juniqe, um site com sede em Berlim que vende gravuras de arte eclética, roupas e acessórios, e que busca artistas independentes em todo o mundo.

Lange e o cofundador Marc Pohl, que antes foram colegas na Casacanda GmbH e na Fab.com, primeiro investiram seu próprio dinheiro e depois atraíram o investidor-anjo Heiko Rauch, assim como a empresa de investimento em capital de risco German Startups Group Berlin AG.

Desde que entraram em funcionamento em janeiro eles trouxeram 25 pessoas para sua equipe, das quais cerca de 60 por cento são mulheres.

Reinventando as startups

“Se as nossas habilidades não se complementassem tão bem e se nós não pensássemos de forma tão diferente, provavelmente teríamos a metade do nosso sucesso”, disse Lange, em entrevista.

As mulheres estão mudando o empreendedorismo na Alemanha, disse Samuli Siren, sócio-gerente da Redstone Digital, empresa com sede em Berlim especializada em encontrar investidores.

“O que mais estamos vendo são startups em tópicos mais amigáveis para as mulheres”, disse Siren, em uma entrevista. As mulheres “estão adaptando e reinventando a ideia da startup, o que está mudando o jogo”.

Contudo, mesmo que o número de mulheres que estão começando suas próprias empresas esteja aumentando, ele continua mais baixo que o de seus colegas do sexo masculino. Lange disse que o motivo, em parte, é que as mulheres tendem a ser mais avessas ao risco e a confiar menos em si mesmas do que os homens, mesmo sendo igualmente qualificadas. A falta de modelos a imitar também é um empecilho, disse ela.

Ainda assim, “a Alemanha é um bom mercado para startups, no momento o clima é excelente”, disse Hardenberg, dona da empresa de flores. Tudo o que você precisa é de “disciplina, diligência e ambição”.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia