Por bianca.lobianco

Rio - ‘Aqui tem de tudo: de juiz a morador de rua”, diz o coordenador-geral do Grupo Reunidos, o núcleo mais antigo dos Alcoólicos Anônimos de Niterói, sempre aberto para receber quem está na porta do botequim. “Já recebi muito telefonema e aviso para ligarem antes. Se ligar bêbado, não posso fazer mais nada”, diz o coordenador A.

No dia 23 de junho, o AA de Niterói fez 50 anos (em 2015, completa 80 anos de fundação, nos Estados Unidos). Houve festa com doces, salgadinhos e refresco. É um grupo vencedor, que começou se reunindo debaixo das árvores do Campo de São Bento e hoje tem 3 mil membros de sexos, idades, religiões e profissões tão diferentes como médico, padre, carpinteiro, músico, funcionário de escritório, freira e operário.

A sala de reuniões abertas (qualquer um pode entrar) e fechadas (só para membros) já serviu de camarimAlexandre Vieira / Agência O Dia

O acaso reuniu um frentista e seu antigo patrão. Este, que garante ter bebido, junto com o irmão e sócio, um posto de gasolina da fanília, já está perto de completar 20 anos sem tocar numa gota de álcool. Bem-humorado, descobriu que muitos de seus atuais colegas de abstinência torciam pelo mesmo time, incl usive ele. “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo”, ri. P., o ex-empregado, ainda tem recaídas. Em compensação, disse adeus à cocaína.

Nem todos têm o humor de J. “O alcoólatra sempre arranja a quem culpar: pai, mãe, patrão. Eu também tinha”, diz J. A seu lado, A. conta: “Eu bebia para dormir e acordava para beber. Por isso, evite sempre o primeiro gole e não falte às reuniões”

Principal responsável pelo grupo, eleito e reeleito 11 vezes, e há 20 anos distante das garrafas, A. não esquece que, na virada do século, ao tentar ver a filha, teve o portão fechado na cara. Hoje, é tão forte e dedicado ao grupo que tem 326 afilhados. Vai todos os dias ao Reunidos. Costuma chegar às 8h e sair às 21h30. As portas estão sempre abertas.

O núcleo tem como sala de reuniões um antigo camarim do Teatro Leopoldo Fróes, onde a cantora R., uma das melhores comunicadoras do grupo, lembra: “Eu achava que só bebia uma cervejinha socialmente. Alcoólatra no bar é um doce de pessoa, em casa é uma peste. Do boteco, eu vi meu filho passar, vindo da natação. Cismei e fui atrás dele, bêbada, e ouvi os soluços. Meu filho tinha vergonha de mim e eu não sabia até aquele dia. Foi quando resolvi mudar”.

Porta aberta

Grupo Reunidos tem sede na R. Manoel de Abreu 16, térreo, Centro, onde ficava o Teatro Leopoldo Fróes, no prédio da Mitra Diocesana (a Pastoral da Criança também funciona ali).

Reuniões abertas aos sábados (19h às 21h); domingos e feriados (16h às 18h). 

Reuniões fechadas de segunda a sábado (16h às 21h); domingos e feriados (16h às 18h).

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