Por bianca.lobianco

Rio - Na era dos brinquedos eletrônicos cheios de botões e efeitos especiais, um carrinho de madeira ou uma boneca de pano, para muitos, não têm a menor graça. Mas não para a criança que entra na Terra do Sempre, uma loja de brinquedos educativos fabricados artesanalmente, um verdadeiro baú cheio de relíquias na Rua Barão do Amazonas, em pleno Centro de Niterói.

Na porta do estabelecimento, um Capitão Gancho de 1,80m é um convite à caça a esse tesouro composto por mais de seis mil itens — não há repetição de produtos — espalhados por prateleiras coloridas.

'A madeira é orgânica. Em contato com a criança%2C emite calor'Alexandre Vieira / Agência O Dia

“A madeira é de material orgânico. Em contato com a criança emite calor, ao contrário do plástico e metal. Também envelhece e carrega as marcas do tempo, assim como acontece com as pessoas”, diz o dono, Márcio Valério Esposel, de 56 anos, há 15 anos nesse ramo. Ele tem outra loja, na Rua Lopes Trovão, em Icaraí.

Na Terra do Sempre, o tradicional virou o novo. Brinquedos como aro (uma roda que é empurrada por um pedaço de madeira), peão, pega varetas de madeira e tantos outros nunca foram vistos por muitas crianças de hoje. Por isso, ocupam uma prateleira inteira. Carrinhos, jogos, palhaços e fantoches dividem o espaço.

A história desses brinquedos é também a de Márcio. Aos 15 anos, ele começou a trabalhar na oficina de madeiras de um tio-avô. O aniversário do filho de um amigo foi a inspiração para fazer o primeiro carrinho. “Os olhos dele brilharam. A reação me surpreendeu e decidi fabricar brinquedos. Quando fiz meu primeiro Pinóquio, me senti o próprio Gepeto”, contou ele, que antes de abrir a loja expunha na feira do Campo de São Bento.

Hoje, os brinquedos são importados de outros estados e vêm até do exterior. O tema da loja foi inspirado em Márcio. “Tenho a Síndrome de Peter Pan. Só agora estou me tornando um rapazinho”, brinca ele.


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