Prefeito de Niterói cobra investigação da Polícia Civil após ataque a ônibus

Rodrigo Neves solicitou ainda ao governador Luiz Fernando Pezão a criação de um batalhão em Maricá

Por paloma.savedra

Niterói - Após uma noite de ataque em Niterói - que culminou com um ônibus incendiado no Morro do Cavalão -, o prefeito da cidade, Rodrigo Neves (PT), pediu que a Polícia Civil investigue a ação criminosa, que ocorreu simultaneamente a outras no Rio. Ele solicitou ainda ao governador Luiz Fernando Pezão a criação de um batalhão em Maricá, para que o 12º BPM (Niterói) possa patrulhar apenas o município, além do aumento no efetivo de policiais das cidades vizinhas.

Ônibus foi queimado em Icaraí após morte de dois jovens durante ação policial no Morro do Cavalão. Túnel foi fechado devido ao tiroteioUanderson Fernandes / Agência O Dia

Neves contou que com a criação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e os investimentos na área do pré-sal trouxeram mais moradores para a região. Segundo o prefeito, a segurança pública precisa acompanhar o crescimento demográfico para tentar solucionar os problemas que surgem. Atualmente o 12º BPM é responsável pelo patrulhamento das cidades de Niterói e Maricá.

"É necessário ampliar o efetivo do batalhão de Niterói, assim como o de São Gonçalo e criar um batalhão em Maricá, que é a cidade que tem a maior taxa de crescimento demográfico dessa região", contou.

Para o prefeito, ações como a criação da Divisão de Homicídios e das Companhias Destacadas na cidade foram importantes, porém, ainda são insuficientes. Ele alega que para dar tranquilidade a população de Niterói é preciso a criação do novo batalhão e aumento de efetivo de PMs na região, que classifica como medidas indispensáveis e urgentes.

Sobre a criação do novo batalhão, a Secretaria de Segurança informou que não comenta sobre o planejamento de ações. E alegou que no último dia 15, o batalhão de São Gonçalo recebeu o reforço de 200 policiais e de 50 viaturas.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse nesta quinta, após reunião com o governador Luiz Fernando Pezão e outros nomes da cúpula de Segurança, que a ação de no Morro do Cavalão foi orquestrada por um preso apelidado de Cadar, que será transferido de Bangu 3 para um presídio federal. O ônibus, segundo Beltrame, foi queimado por 15 menores de idade. “Vou sair daqui agora e pedir que ele (Cadar) seja enviado a um presídio federal”, disse Beltrame.

Ônibus é incendidado durante ação policial no Morro do Cavalão

A confusão em Niterói começou após a morte de dois jovens no Morro do Cavalão. Com isso, os criminosos levaram pânico a endereços nobres da cidade. Um ônibus da linha 38 (Itaipu-Terminal) foi incendiado na Rua Joaquim Távora. De acordo com informações obtidas pelos policiais militares, cerca de 15 menores mandaram todos os passageiros saírem do ônibus e atearam fogo. Uma barricada de fogo podia ser vista na entrada do Túnel Raul Veiga, que liga os bairros. 

Após o ataque, o Morro do Cavalão, em Niterói, na Região Metropolitana, amanheceu nesta quinta-feira com o policiamento reforçado, após as cenas de violência da noite de quarta. Homens do 12ºBPM (Niterói) e do Grupamento de Ações Táticas estão patrulhando a comunidade.

Também no início da noite de quarta, um veículo com criminosos abordou pessoas que faziam churrasco na Avenida Rui Barbosa, em São Francisco e praticou assaltos. Apavorados, motoristas fugiram pela contramão, e o trânsito foi interrompido por duas horas. O reflexo do engarrafamento chegou à Ponte Rio-Niterói. O registro das duas ocorrências foi feito na 77ªDP (Icaraí).

Segundo a PM, os jovens eram suspeitos de integrar o tráfico e entraram em confronto com os militares. O comandante do 12ºBPM, coronel Gilson Chagas, disse que criminosos desceram da mata no alto do morro, que foi cercado pela polícia. “Mobilizamos equipes com apoio de helicópteros para tentar prender os bandidos”. Na noite desta quarta-feira, boatos de que crianças haviam sido reféns em um colégio foram espalhados pelo aplicativo WhatsApp. Chagas mandou checar a informação logo que esta começou a ser espalhada, e constatou se tratar de boato.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia