Niterói - Jipes a postos, homens no volante, muita aventura no meio do mato e na lama. Assim começam as trilhas organizadas pela turma do Niterói Jeep Clube (NJC), um grupo que reúne loucos por 4x4 off-road. Desde sua criação, há 23 anos, o clube teve 260 sócios, mas ativos e atuais são cerca de 40. Eles se encontram toda terça-feira, às 21h na Nikiti Pizza, em Pendotiba, onde rola muito bate-papo e alguns chopes bem gelados.
Como na cidade não há trilhas apropriadas para a prática de off-road, o jeito é colocar o pé na estrada. O povo marca viagens rápidas a cada 15 dias, ‘bate-voltas’ em cidades próximas como Rio Bonito, Papucaia, Lumiar e São Pedro da Serra.
Uma vez por ano eles saem em expedição, viajando por caminhos mais distantes e trabalhosos, que podem durar até vinte dias. Para isso,usam os carros 4x4 mais confortáveis. Desta forma já chegaram ao Ceará, Tocantins, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e até Machu Picchu, no Peru. Em 2015 vão para a Amazônia e em janeiro de 2016 vão para o Uchuaia, na vizinha Argentina.
O mais popular do grupo é Edson José Nespoli, vulgo Chapéu, que é diretor de trilhas do clube e dono de uma oficina que é também um point dos jipeiros. “É uma atividade bem divertida e está sempre chegando gente nova no grupo. O problema é que não é barato. O jipe mais em conta custa uns R$ 15 mil. E aí ainda pode por mais uns R$ 15 mil em equipamentos. Isso sem contar com a manutenção”, diz Chapéu de dentro de seu Willys vermelho.
Além da paixão pelos carros, o prazer do hobby está ligado à superação de obstáculos, sem contar com o espírito de companheirismo. “O espírito do jipeiro é de aventura é de solidariedade. Sai todo mundo junto, com rádio, e chega todo mundo junto. Se alguém tiver algum problema todos ajudam e por aí vai”, explicou Rui Lopes, mais conhecido como Ampla.
Tem carro novinho, mas também tem alguns com mais tempo de estrada. O Camper laranja 84 de Reginaldo da Costa é praticamente um patrimônio do grupo. Tanto que rendeu ao dono seu apelido: Sukita, um dos mais velhos da turma.
“As trilhas são ótimas. É um momento em que você não pensa em mais nada, só no caminho que está a sua frente. Além disso, é um exercício físico. Muitas vezes tenho que descer do carro para socorrer amigos que ficaram atolados ou precisam de alguma ajuda”, relatou.
E não tem tempo ruim para essa turma. O importante é estar junto na trilha.Mulheres e filhos também participam de algumas aventuras.
Vice-presidente do NJC, Luis Figueira, o Cimento, está no grupo há nove anos e afirma que ali se sente em casa. “Todo mundo é amigo e qualquer um é bem recebido. Nossas reuniões semanais são sempre bem bacanas, onde conhecemos um pouco mais de carro. É um clima totalmente familiar”, destacou.
O pessoal do Clube Niteroiense de Montanhismo (CNM) está sempre por lá, mas os que procuram mais adrenalina geralmente optam pelo Alto Mourão ou Pedra do Elefante, que fica ali perto e, segundo o presidente do CNM, Leandro do Carmo, é o ponto mais alto da cidade. “São 412 metros. É uma trilha com um ponto mais técnico e exposto próximo ao cume. Geralmente ela é feita em 40 a 50 minutos”, descreve.
O produtor de eventos Daniel Chiozzo é um que adora apreciar o visual. “Adoro subir o Costão. É sempre muito gratificante ver de cima o paraíso que é Itacoá”, diz.
Para crianças de até oito anos, a trilha mais indicada é a do Morro das Andorinhas até o Mirante de Itaipu, uma subida leve com belo visual.