Praias ‘restritas’ em áreas militares viraram refúgio para banhistas

Além das águas claras na Praia do Imbuí, arquitetura dos oito fortes da cidade são espetáculos à parte

Por marina.rocha

Niterói - No verão dos arrastões na orla da Zona Sul do Rio e de praias lotadas por toda parte, Niterói tem um paraíso para os banhistas chamarem de seu: a Praia do Imbuí, no Forte do Barão do Rio Branco, em Jurujuba. Invisível a quem passa de carro pelo bairro, bem escondidinha, num cenário paradisíaco, é na pequena e tranquila faixa de areia com águas limpas e cristalinas que muitos niteroienses têm aproveitado para se refrescar no calor de 50 graus. O Barão do Rio Branco faz parte do complexo de oito fortes de Niterói.

Quem quer ter acesso à Praia do Imbuí tem que passar pela avaliação do ExércitoEstefan Radovicz / Agência O Dia

A praia ganhou o nome de Imbuí por estar próxima ao forte de mesmo nome, construção acessível apenas aos militares. Embora esteja na área do Exército, ela pode ser frequentada por civis, mas há restrições. Na maioria dos casos, as pessoas são indicadas por militares, mas isso não é uma regra. No entanto, todos que pretendem curtir a natureza do local devem preencher uma ficha. Os dados são analisados pelo Exército e a aprovação não é garantida.

“É questão de segurança nacional. Estamos numa área militar, com paiol, treinamentos e rotina de um quartel. Não dá para permitir o acesso de qualquer um”, explica o chefe do Estado Maior coronel Carlos Eduardo de Moura Neves.

Se aprovado, o banhista tem mais uma etapa a cumprir. É preciso pagar a Guia de Recolhimento da União (GRU) de R$ 300. Ela permite que o titular frequente a Praia do Imbuí por três meses e pode ser renovada pelo mesmo período, sem que seja preciso pagar de novo. A taxa só será cobrada novamente após um ano se ele quiser renovar o acesso à praia. O responsável tem direito a levar filhos, marido ou mulher.

As regras são rigorosas, mas os que passam pelo pente fino do Exército são recompensados. Além de desfrutarem da beleza do lugar, os frequentadores têm segurança e estacionamento garantido, sem flanelinhas, claro. "Pode deixar os objetos na areia e dar um mergulho que ninguém vai pega-los. E não tem arrastão", garante o oficial.

O Exército não limita o número de banhistas na Praia do Imbuí, mas se o estacionamento do forte estiver lotado ninguém mais entra até que surja uma vaga. Então, quem chega bem cedo garante seu lugar ao sol ou à sombra, como preferir. Mas para que ninguém fique de fora desse paraíso quase particular, os militares distribuem senhas.

“Então, a pessoa escolhe esperar ou não. Não há outro jeito”, avisa o segundo-tenente Marcos Henrique Costa Silva.

Ano passado, essas restrições chegaram a ser questionadas pelo Ministério Público Federal (MPF). “Explicamos as nossas razões, o MPF entendeu e elas permanecem valendo”, esclarece a primeiro-tenente e assessora jurídica Marilícia Senna.

Chefe do Estado Maior%2C coronel Carlos Eduardo de Moura Neves reclama do estacionamento irregular Divulgação

Inferno antes do paraíso

A Fortaleza de Santa Cruz, em Jurujuba, é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade com cerca de 100 mil turistas por ano, incluindo estrangeiros. Porém, desde outubro o local vem sofrendo baixas. Carros parados no meio da rua de acesso ao forte tem impedido os turistas de chegarem lá. Os veículos são de motoristas que vão às praias de Adão e Eva, localizadas no caminho do forte.

Chefe do Estado Maior, coronel Carlos Eduardo de Moura Neves, disse que enviou ofício, em dezembro, à prefeitura. “É um descaso. Os turistas agendam a visita quando fecham o pacote e aqui são pegos de surpresa. Isso prejudica também os moradores”, avisa o oficial. Em nota, a prefeitura informou que há duas semanas age no local: “A via é estreita e sofre com o grande fluxo de veículos... Carros estacionados na frente de garagens estão sendo rebocados”.

Vista do Forte do Pico é considerada um dos 50 melhores pontos de observação em 360 graus do mundo Estefan Radovicz / Agência O Dia

Uma das melhores vistas do mundo

Imponente construção na Baía de Guanabara, a Fortaleza de Santa Cruz, reúne história, arquitetura e natureza. “Foi a principal estrutura defensiva da baía do porto do Rio e erguida com pedras esculpidas à mão e encaixadas uma a uma. Daqui, temos a menor distância entre Rio e Niterói: apenas 1,5 km”, explica o guia turístico e soldado Leonardo Delmondes, apontando o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor.

Outro ponto turístico da região é o Forte do Pico ou São Luiz. A entrada é pelo Barão do Rio Branco. Ele fica a uma altura de 125 metros, equivalente a um prédio de mais de 40 andares. Até um certo ponto sobe-se de carro, mas depois o caminho é feito a pé. É preciso disposição, mas vale a pena. A começar pela vista deslumbrante. “É um dos 50 melhores pontos de observação em 360 graus do mundo”, conta o guia turístico e soldado Carlos Felipe Ferreira. O local conserva as ruínas do forte do século 18 e tem museu.

Informações sobre o acesso à Praia do Imbuí pelo telefone 3701-3932

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