Antônio Pedro procura mães de leite para atender todo o Leste Fluminense

Hospital tem 60 doadoras, mas precisa de mais para aumentar atuação

Por marina.rocha

Niterói - Está comprovado: leite materno faz o bebê ficar mais inteligente. Foi o que mostrou um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. De acordo com o resultado, a amamentação aumenta o QI na vida adulta e forma pessoas mais bem sucedidas.

Por essas e outras, o Banco de Leite do Hospital Universitário Antônio Pedro está em busca de novas doadoras. Por conta do baixo estoque, atualmente o material recolhido por lá só alimenta as crianças internadas na UTI do próprio Antônio Pedro, mas o objetivo é atender a todos os hospitais do Leste Fluminense.

Cristiane Pitzer alimenta o pequeno Bernardo várias vezes por dia e diz que ainda tem leite de sobra para doar Fábio Gonçalves/ Agência O DIA

Além disso, as mamães que encontram dificuldades em amamentar podem encontrar ali a solução de seus problemas. A ginecologista e obstetra responsável pelo Banco, Valéria Pereira de Moraes, ressalta a importância deste apoio à mulher.

“Amamentar é muito importante e o Banco de Leite tem um papel fundamental no período pós-alta, que é quando a mãe chega em casa e se depara com as dificuldades. Muitas mulheres só não desistem de amamentar por conta da ajuda do Banco, é um trabalho muito bacana”, diz.

Os atendimentos acontecem diariamente, de 8h às 17h. A enfermeira e coordenadora do Banco, Bertilla Raker, é uma das ‘fadas’ da amamentação. “O melhor é que a criança, ao nascer, vá imediadamente para o peito da mãe”, diz, explicando que isso evita problemas comuns como a dificuldade do bebê sugar o leite, ou a falta de produção.

Foi Bertilla quem ajudou a administradora Cristiane Pitzer a voltar a produzir leite quando, em 2009, descobriu uma alergia grave em sua primogênita Luísa. “Ela não podia tomar nada a base de leite. No Banco eu consegui relactar, mas a Luísa não aceitou mais mamar. Minha filha ficou três semanas na UTI e eu tinha que ordenhar o leite pra ela”, relembra ela que agora também tem o Miguel, 4, e o pequeno Bernardo, de 5 meses. 

Entendendo a importância do projeto, Cristiane hoje é uma das 60 doadoras. “Sinto muita satisfação ao doar meu leite para bebês que não podem mamar de suas próprias mães. Por experiência própria, eu sei como é importante”, destacou.

O Banco também atende mulheres que precisam trabalhar, mas fazem questão que os filhos tomem o leite materno. A estudante de enfermagem Aline Rangel coleta todos os dias para o filho de 9 meses. “É ótimo pra mim e pro Miguel. Ele já come quase tudo, mas leite ainda toma o meu. Se não fosse o Banco eu desperdiçaria”, ressaltou.

A enfermeira Bertilla Riker vê de perto o processo de pasteurizaçãoFábio Gonçalves

É fácil

A doação funciona assim: depois de cadastradas, as doadoras retiram o leite em casa e podem armazenar o líquido na geladeira por 12 horas ou no freezer por até 15 dias. Um carro do Banco busca o potinho na casa de cada uma delas e leva para a base, onde o líquido passa pelo processo de pasteurização. Aí sim ele é destinado para as crianças da UTI.

“O leite humano é bom para dentição, para a fala, diminui infecções e aumenta a sobrevida da criança”, destaca a enfermeira Bertilla Riker.

As mamães que trabalham no Huap já abraçaram a causa, como a técnica de enfermagem Raquel Dias. “Meu filho só se alimenta do meu peito e ainda sobra, então eu dôo. É rápido e indolor”, garantiu.

Para doar, mãe e filho devem estar saudáveis. O endereço é Avenida Marquês do Paraná, 303, térreo, Centro. Eles também aceitam doações de frascos de vidro para o armazenamento do leite.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia