Por marina.rocha

Niterói - A música dá alma ao universo... alegria e vida a tudo. A frase de Platão está exibida na parede da casa do seu Araújo, onde todo domingo acontece uma seresta, às 19h. O encontro já ocorre há mais de quarenta anos e reúne cerca de 50 pessoas, quase todos cantores de ocasião. Gente como o dono do espaço, um violonista que, aos 84 anos de idade, esbanja vitalidade e prova que “música é vida”.

Ao centro%2C seu Araújo e dona Glorinha com os músicos e convidadosJoão Laet / Agência O Dia

Além da seresta dominical, a casa do seu Araújo abre as portas para o público toda segunda-feira, a partir das 16h, quando o repertório é dedicado ao chorinho. Foi lá que muitos músicos da cidade tiveram o primeiro contato com as obras de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Altamiro Carrilho...

Um dos que batem ponto por lá é o músico Gabriel Bueno. “Os ‘coroas’ sabem tudo! Aqui não tem bagunça, a conversa é boa, o repertório é de qualidade... o mundo tinha que conhecer estes caras!”, disse entusiasmado. 

Seu Araújo e a senhora dele, dona Maria da Glória, fazem questão de preparar um lanche durante as tardes musicais. E este momento de confraternização acaba se tornando tão especial quanto a execução das músicas. É a hora que os mais novos podem ter acesso às histórias e causos do ‘povo da antiga’, dos ‘mais velhos’.

“Eu venho aqui toda segunda receber meu ‘passe’. Isso aqui é como uma religião, é um lugar de paz”, acredita o pandeirista Rodrigo Davi Cirne.

Tanto na seresta quanto nos dias de instrumental, a ideia é dar oportunidade para quem quiser cantar e/ou tocar. “Isso aqui é lugar pra gente que gosta da vida”, sentenciou seu Gentil da Costa Lima, de 84 anos, emendando que, por motivos óbvios, gostaria que seu nome fosse “perpétuo”.

Para quem quiser conhecer, a casa do seu Araújo fica na Rua Lilian Lemos Mercadette 31, Fonseca. A entrada é gratuita. Os músicos e cantores que se reúnem por lá se apresentam também todo 2º sábado do mês no Campo de São Bento.

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