Niterói: Fernanda participou da caminhada com o filho JoaquimDivulgação

Niterói - Para alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças como o câncer de mama e de colo de útero, a PróOnco Mulher e a Oncomed voltaram a colorir, literalmente, de rosa, parte da Zona Sul de Niterói com a 3ª Caminhada da Mulher, realizada na manhã deste domingo, 15/03. Além de reforçar a necessidade dos cuidados com a saúde feminina, o evento - gratuito e animado pelo bloco Toma na Cura - é uma homenagem especial ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, e este ano contou com mais de mil participantes de todas as idades, quase todos usando camisa cor de rosa.
Ao longo dos quase três quilômetros da praia da Boa Viagem até a igreja de São Judas Tadeu, no fim da praia de Icaraí, mulheres, homens, jovens, idosos e até crianças celebraram juntos a vida ao som de muito samba, no evento familiar com momentos de pura emoção expressos em sorrisos, choros, abraços, reencontros e interação de pessoas em tratamento com outras já curadas e mesmo com as que nunca conviveram com o câncer.
A concentração foi no Centro de Atendimento ao Turista (CAT), na Boa Viagem, onde às 8h30 o mastologista e cirurgião oncológico Rodrigo Souto, idealizador da caminhada, ressaltou a importância dos exames preventivos, dos exercícios físicos e dos cuidados com a alimentação para a manutenção da saúde, e ainda parabenizou as mulheres.
“Todo dia é dia da mulher. Mas aproveitamos este mês de março para chamar a atenção para o compromisso com a saúde e o bem-estar das mulheres, reforçando a importância da adoção de hábitos saudáveis como a caminhada. E reforçamos também os cuidados com a saúde feminina em geral na prevenção do câncer de mama e de colo de útero, que seguem com altos índices em quase todo o mundo, mas se descobertas precocemente nos permitem a cura”, ressaltou Rodrigo Souto, que é diretor da PróOnco Mulher e diretor científico do Instituto Oncomed.
Em seguida, a professora de yoga Cristiane Garcia, coordenadora do espaço Dharma Bhmi (um dos parceiros do evento), conduziu a atividade de alongamento como integração e aquecimento para a largada às 9h, anunciada pela cortina de fumaça rosa pink. Com apoio de um carro de som, integrantes do Viva Batuque (um grupo de bateristas e o cantor Caio Lopes, todos do projeto social do mestre Lucas Ratto) animaram o Toma na Cura, bloco criado pela nutricionista oncológica Patrícia Arraes com quatro pacientes, entre elas, Madelon Cony, coordenadora da Caminhada Outubro Rosa de Niterói.
"Com este bloco conseguimos falar de cura e celebrar a vida, lembrando que há vida após o câncer, e mesmo para pacientes metastáticos. E de novo reunir essa gente toda cantando, dançando, sorrindo e se emocionando é, sem dúvida, um exercício de felicidade, de cura do corpo e da alma", disse Patrícia Arraes, rainha do Toma na Cura.
O estandarte do bloco foi carregado por pacientes como Laryssa Rodrigues, 32 anos, que em 2021 tratou um câncer de ovário e ano passado teve metástase. Mas ela segue firme no tratamento e era uma das mais animadas na caminhada. “Fiquei surpresa com a estrutura do evento, que teve até ambulância. Mais do que isso, o evento nos proporcionou momentos de alegria e celebração da vida. Gostei muito mesmo”, disse Laryssa, que estreou na caminhada.

Família presente - Além dos muitos que já passaram pelo câncer e outros tantos em tratamento, a caminhada reuniu pessoas que vivenciam ou vivenciaram a doença com familiares, como Adriana Pereira de Assis. Ela foi com a sogra Sonia Martins, que em 2021 passou pela cirurgia em uma das mamas, fez quimios e rádios, e continua com a hormonioterapia (um comprimido por dia). “Fiquei encantada com a caminhada. Que astral legal”, destacou Adriana ao lado da sogra, também pela primeira vez na caminhada. “Eu já participei de muitos eventos da Oncomed, todos bem bacana e agregadores. Mas esta foi minha primeira vez na caminhada. E que maravilhoso participar e ver a alegria daquelas mulheres e eu também comemorando a vida! Caminhamos, sambamos e nos divertimos muito. Parabéns aos organizadores desse evento tão maravilhoso e importante pra nós que já passamos por dias tão difíceis. Irei sempre, e com a minha nora juno”, garante Sonia, que esteve presente em palestras, rodas de conversa, Nosso Dia Pink (um dia inteiro de atividades promovido pela Oncomed e PróOnco no Outubro Rosa), até serviços de beleza e outras atividades realizadas pelas duas clínicas oncológicas.
Mamãe, carnaval! - Residente na praia do Ingá, a médica clínica geral Fernanda Moura chegou de um plantão de 36 horas e foi surpreendida pelo filho de 1 ano e 10 meses, que ouvindo o som do Viva Batuque, não perdeu tempo: “mamãe, carnaval!”. Resultado: Fernanda não resistiu em atender ao pequeno Joaquim, que era pura animação batucando o seu pandeirinho no colo da mãe. Juntos, eles acompanharam a caminhada até o início da praia de Icaraí, sendo um belo exemplo de que é desde pequenino que se aprende a importância da participação na sociedade.
O desafio que virou rede de apoio

Outra participante de primeira vez foi a professora de educação física Gisele Ribas, 56 anos, que descobriu um tumor de mama em 2023, operou, fez quimio e radioterapia, mas ano passado teve metástase no pulmão. Operou, enfrentou outras sessões de quimio e fará o tratamento de imunoterapia por 2 anos, mas não esmoreceu. Criou o projeto Oncoamigas da Gi, grupo sem fins lucrativos que será lançado no próximo dia 22, às 9h, com uma caminhada de três quilômetros no Parque RJ, em São Gonçalo, onde ela reside, marcando o término de suas sessões de quimio, já com 70 participantes confirmadas, entre elas, a amiga Claudia Gomes que acompanhou Gisele na caminhada de domingo. “Sou privilegiada por ter plano de saúde, mas sei das dificuldades de quem não tem. Este projeto nasceu a partir daí como um grupo de apoio sem fins lucrativos, dedicado ao autocuidado, à troca de informações e, acima de tudo, ao abraço que acolhe, buscando suavizar o impacto do diagnóstico e fortalecer essas mulheres para que enfrentem o tratamento com esperança e dignidade”, explica Gisele.
Transformando dor em luta - Entre as pacientes que participaram de outras edições da caminhada estava a advogada Solange Cunha Pacheco, que em 2020 descobriu um tumor na mama, passou pela cirurgia, quimios e radioterapias, venceu a doença e transformou a dor em luta, exemplo, incentivo, esperança e força para outras mulheres. Dois anos depois, ela lançou o livro “De bem com a minha careca”, tornou-se presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB-Niterói e não parou por aí. No ano passado, atuou ativamente na criação e implantação da Comissão de Defesa dos Direitos dos Pacientes Oncológicos e em Cuidados Paliativos da OAB-RJ por ela também presidida. “Estive presente como paciente em remissão, e também representando as duas comissões que presido, reforçando o compromisso da OAB com a promoção da saúde, da prevenção e do acesso à informação. Neste mês dedicado às mulheres, além de nos proporcionar um momento de união e conscientização, a caminhada nos lembra da importância do autocuidado e da atenção à própria saúde”, ressaltou Solange, que segue participando de muitos eventos voltados à causa, como o evento deste domingo.
O projeto - A 3ª Caminhada da Mulher é uma realização da PróOnco, do Nosso Dia Pink, da Oncomed e do Instituto Oncomed, com produção da Med.Co, tem parceria do Hospital Icaraí (presente com tenda para aferição de pressão, exames de glicose e orientação nutricional), da Águas de Niterói (com um veículo fornecendo água ao longo de todo o percurso), da Prefeitura de Niterói por meio da Neltur (Niterói Empresa de Lazer e Turismo) e do projeto Yoga na Praia do estúdio Dharma Bhmi, contando com o apoio de diversos grupos de mulheres. Em sua primeira edição, em 2024, o evento reuniu cerca de 500 pessoas, chegou quase ao dobro em 2025 e este ano ultrapassou a marca dos mil participantes. Com o sucesso, a caminhada já faz parte do calendário anual de atividades de Niterói voltadas à prevenção a doenças que mais atingem as mulheres, como o câncer de mama e o de colo de útero.