Chery mira na turma dos 'sem carro'

Potencial do país define estratégia dos chineses, que inauguraram fábrica em Jacareí (SP)

Por leandro.eiro

Jacareí (SP) - “Brasileira de chassis, peças e coração.” É com tal slogan que a Chery inaugura o centro de produção de Jacareí, no interior de São Paulo. Com um total de R$ 1,2 bilhão de investimentos, o parque industrial contempla duas fábricas — uma de automóveis e outra de motores. É de lá que sairão os novos Celer e QQ, além de um inédito utilitário esportivo — este último somente será lançado em 2016.

As versões hatch e sedã do Celer entram nas concessionárias a partir de outubro. Os modelos estão com índice de nacionalização de 50%Divulgação


Com capacidade para produzir 50 mil unidades por ano, a fábrica do interior paulista será responsável pela fabricação do novo Celer e da futura geração do compacto QQ. O primeiro já passa a sair da linha de produção agora em setembro, enquanto que o segundo modelo nacionalizado vai estrear apenas no segundo trimestre de 2015. O QQ, por sinal, será o primeiro modelo da Chery a ter um motor 1.0 flex de três cilindros.

Em 2016, a fábrica de Jacareí terá capacidade de produzir 150 mil automóveis/ano. Não à toa que a unidade passará a fabricar um inédito utilitário esportivo. Os executivos da Chery, no entanto, mantêm segredo absoluto de qual SUV sairá da linha de produção do interior paulista e desconversam se tal modelo substituiria o atual Tiggo, primeiro veículo da marca chinesa a ser vendido no Brasil — este foi lançado por aqui em 2009.

Será a partir de 2016 também que a Chery pretende se espalhar pela América do Sul. Afinal, com a produção dos três modelos — o inédito utilitário esportivo, a nova geração do QQ e as versões hatch e sedã do Celer —, a fábrica do interior paulista passará a exportar para países como Argentina, Uruguai, Colômbia, Equador, Venezuela e Peru.

O novo QQ será nacional a partir de 2015Divulgação

Do Fullwin ao Celer

O complexo industrial de Jacareí, interior de São Paulo, também conta com a fábrica de motores Acteco. É lá que serão fabricados os propulsores 1.0 litro e 1.5 l. De acordo com o presidente da Chery no Brasil, Roger Peng, a intenção da marca chinesa é também capacitar a fábrica para produzir os motores para serem exportados.

Além do complexo de Jacareí, a Chery irá inaugurar um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil, que ainda não tem local e data definidos para começar a operar, mas que já conta com investimento de R$ 50 milhões aprovado pela marcha chinesa.

As versões hatch e sedã do Celer começam a ser fabricados agora em setembro com 50% de índice de nacionalização de peças — entre os parceiros da Chery estão Pirelli, Moura, Bosch, Goodyear e Basf, entre outros. A intenção é em dois anos aumentar o índice de nacionalização, passando a ser de 70%.

O Celer%2C abaixo com o presidente Roger Peng%2C já está em produçãoDivulgação

Testamos na China

A convite da Chery, estivemos na grande fábrica da marca em Wuhu, no centro da China, uma ‘pequena’ cidade com 3 milhões de habitantes.

Na unidade, que produz 900 mil carros de 21 modelos e 1,5 milhão de motores pudemos acompanhar o processo produtivo e testar um protótipo do Fullwin, que aqui se chama Celer.

O desenvolvimento do modelo mostrou esmero e preocupação com o design e ergonomia. Acessível e bem resolvido, o Celer foi usado em uma pista interna, uma vez que ocidentais não podem dirigir nas vias públicas chinesas, por não compreenderem nem uma das placas.

Durante as voltas, foi possível perceber bom acabamento e uma suspensão macia, talvez demais para o gosto do brasileiro. Aceleração e retomadas vigorosas foram mantidas no carro vendido hoje, por enquanto importado e que será, em breve, montado no Brasil com alto índice de nacionalização.

Repórter e editor viajaram a convite da Chery

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