Menino suspeito de matar família de PMs confessou crime a amigos

Novas imagens mostram Marcelo saindo da escola com dois colegas. Eles contaram à polícia sobre confissão do menino

Por julia.amin

São Paulo - Dois adolescentes, amigos de Marcelo Pesseghini do Colégio Stella Rodrigues, contaram para os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), nesta quarta-feira, que o menino confessou o crime antes de cometer suicídio. Um dos jovens disse que Marcelo perguntou se ele sentiria sua falta caso morresse.

Novas imagens de câmera de segurança mostram Marcelo deixando o colégio com os dois amigos no dia 5 deste mês. Dez minutos depois, ele atravessa a rua e pega carona com o pai de outro colega que o leva a té a residência da família de PMs em Brasilândia.

Marcelo e dois amigos saindo da escola no dia 5Reprodução TV


Para a polícia, Marcelo matou o pai, o sargento da Rota Luís Pesseghini, a mãe, a cabo da PM Andréia Regina Bovo Pesseghini, a avó Benedita de Oliveira Bovo, e a tia-avó Bernadete Oliveira da Silva entre a noite do dia 4 e a madrugada do dia 5. A investigação aponta que, depois, Marcelo foi para a escola com o carro da mãe de madrugada, assistiu às aulas pela manhã, retornou de carona para a residência da família na Brasilândia, e se matou.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Maurício Blazek, as evidencias apontam para Marcelo como autor do crime. "Infelizmente é uma situação que nem todos gostariam que fosse realidade [a autoria do garoto no crime], mas a investigação policial busca a verdade. Nós não buscamos aquilo que o clamor da sociedade assim entende", disse ele nesta quarta-feira. "Todas as provas apontam para isso para o garoto. Os depoimentos também vão na mesma linha. A polícia não explica o motivo, o papel da polícia é apontar quem fez", complementou.

Influência dos games

Amigos de Marcelo disseram que ele criou um grupo chamado "Os Mercenários", inspirado no jogo Assassins Creed.

Segundo o delegado Itagiba Franco, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), haviam uma lista com nomes que deveriam ser mortos. Um dos nomes seria o da diretora do Colégio Stella Rodrigues, Maristela Rodrigues. No jogo, ganhariam pontos quem matasse parentes, assim como o game. Para os colegas, no entanto, não havia intenção de ser colocado em prática, mas o grupo seria apenas uma diversão.

O presidente da comissão de segurança da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), o advogado Arles Gonçalves Júnior, afirmou que os depoimentos prestados revelam que o menino apresentou uma mudança de comportamento influenciada pelo jogo de videogame. Das 31 pessoas ouvidas pela polícia, seis eram amigos de Marcelo Pesseghini.

A desenvolvedora de games Ubisoft, criadora do jogo Assassin´s Creed, repudiou a ligação entre o jogo e o assassinato, alegando que nenhum estudo até agora realizado há consenso sobre a associação entre a violência e obras de ficção, incluindo livros, séries de televisão, filmes e jogos.

Depoimento de psiquiatra

Para decifrar o enigma e apontar a motivação do crime, a Divisão de Homicídios requisitou um parecer do psiquiatra forense Guido Arturo Palomba, que aceitou o convite e começou na terça-feira a analisar os 35 depoimentos já tomados pela polícia.

O psiquiatra diz que cinco fatores paralelos, que ele chama de concausas, teriam colaborado com o desfecho trágico: o cardápio de violência no ambiente familiar; a doença do menino - que subliminarmente provoca uma alteração na consciência -; os remédios que ele tomava; o incompleto desenvolvimento mental, próprios da idade; e, um fator que pode ter sido uma bronca ou um castigo, embora isso ainda não esteja claro.

“Posso afirmar com alguma segurança que ainda procurarei consolidar, que a causa é psicopatológica. Ele (Marcelinho) provavelmente se encontrava num estado anormal de consciência”, afirma Palomba.

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