São Paulo - O sucesso foi enorme e imediato. Em três dias, o post com a tabela de descontos da mesada de Giullia e Vitor foi compartilhado por mais de 85 mil pessoas. “Coloquei a foto da tabela para que familiares pudessem acompanhar a novidade: as crianças começaram a receber mesada. Era para ser uma coisa entre família e amigos. De repente, todo mundo estava compartilhando o post”, conta o juiz do trabalho Vitor Yamada, pai de Giullia, de 8 anos, e Vitor, de 6.
Segundo Vitor, a filha pediu à mãe para receber uma pequena quantia de dinheiro todo mês para poder efetuar algumas compras pessoais. Os pais analisaram o pedido e decidiram que a mesada seria concedida, mas as crianças teriam que cumprir algumas obrigações para poder receber o dinheiro integralmente no final do mês.
“Queríamos ensinar o valor do dinheiro, mas sem obrigar as crianças a desempenhar tarefas que não fossem condizentes com a idade delas”, explica Vitor. Entre as atitudes penalizadas estão não escovar os dentes (desconto de R$ 0,25), faltar, atrasar ou reclamar para ir à escola (desconto de R$ 1,00) e deixar brinquedos largados ou jogados (desconto de R$ 0,50).
Segundo o pai, mesmo depois de descontado o dinheiro devido a alguma desobediência, as crianças ainda assim precisam cumprir a tarefa penalizada. “Se não colocarem o cinto, a mesada vai ter desconto, mas mesmo assim precisam por o cinto de segurança.”
Todos de acordo
Vitor conta que os filhos foram consultados e concordaram com o sistema de mesada idealizado pelos pais. “Quando pensamos na tabela, conversei com meus dois filhos. Se eles não concordassem com o sistema de descontos, eu e minha mulher não faríamos isso”, afirma.
O valor do desconto de cada tarefa foi pensado de modo que as crianças não fiquem totalmente sem dinheiro no final do mês, segundo o pai. Ele afirma que as atividades que refletem os valores morais mais importantes para a família acarretam descontos maiores. Para os deslizes mais comuns, como não colocar o cinto de segurança ou deixar a luz acesa, o desconto é menor.
Após fechar a contabilidade do mês, Vitor deposita o dinheiro da mesada em uma poupança das crianças. “Depois de feito o depósito, vamos todos ao banco para que a Giullia e o Vitor possam retirar o dinheiro do mês. Não precisam usar todo o valor. Eu também dei um caderno para cada um e ensino que devem registrar o que gastam para controlar melhor o dinheiro”, explica o pai.
No mês de setembro, quando foi implantado o sistema, o valor integral da mesada seria de R$ 50,00. A filha mais velha, Giullia, recebeu R$ 43,25. Já o mais novo, Vitor, ficou com R$ 30,50.