STF decreta a prisão imediata de José Dirceu e outros 14 réus

Ex-ministro viajou à Bahia e assessores informaram que ele se apresentará à PF em São Paulo

Por bferreira

Brasília - Após uma confusão entre os ministros, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na noite desta quarta-feira pela prisão imediata dos réus do Mensalão nas penas em que não cabe mais recurso. A decisão atinge a maioria dos condenados, dos quais pelo menos 15 já devem começar a cumprir pena. Entre eles estão o ex-ministro José Dirceu, o deputado licenciado José Genoino, o publicitário Marcos Valério e o delator do Mensalão, Roberto Jefferson. Na sessão, o Supremo negou o pedido de prisão domiciliar de Jefferson, que está com câncer.

José DirceuDivulgação

No total, Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, mas para o cumprimento imediato da pena será reduzido o tempo equivalente ao crime de quadrilha. O ex-ministro recebeu a notícia de sua condenação na Bahia, para onde viajou de avião particular horas antes à decisão do STF. Até o final da noite, seus assessores não sabiam dizer quando Dirceu voltaria a São Paulo para se apresentar à Polícia Federal.

Como a condenação será por pena e não por réu, o STF deve fazer um levantamento sobre todos os embargos infringentes, mesmo daqueles condenados que não teriam direito ao recurso. Ou seja, a maioria dos ministros decidiu que a pena fica em suspenso também nos casos em que os condenados recorreram apesar de terem recebido menos de quatro votos pela absolvição em relação a determinado crime. São eles: Rogério Tolentino, Valdemar Costa Neto, Pedro Henry e Vinícius Samarane.

Pela decisão do STF, alguns condenados, como Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, começarão a cumprir a pena de prisão em regime semiaberto, uma vez que a condenação por formação de quadrilha é alvo de embargos.

Lula: ‘falarei algumas coisas’

Em meio às discussões no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a prisão imediata dos condenados no Mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende “falar algumas coisas” sobre o que é considerado o maior escândalo de corrupção de seu governo, mas que só o fará após o final do julgamento.

“Tenho dito para todo mundo: ‘Eu, quando terminar toda a votação sobre o Mensalão, aí eu quero falar algumas coisas que eu penso a respeito disso”, afirmou Lula, que conversou com a imprensa após um encontro com militantes do PT em Campo Grande (MT).

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia