Brasília - A jornalista Nana Queiroz, organizadora do protesto ‘Eu não mereço ser estuprada’, prestou ontem queixa na Delegacia da Mulher, em Brasília, contra inúmeras ameaças virtuais de estupro e violência que sofre desde sábado, e incentivou as mulheres que vêm sendo agredidas na internet a fazerem o mesmo.
A campanha levou ontem muitas mulheres a relatar no Facebook estupros sofridos, e contou com a adesão de muitos homens, gerando também comentários ameaçadores de internautas que reagiram às dezenas de fotos de mulheres com pouca roupa, segurando cartazes com as frases marcantes do protesto.
“Só vamos mudar a mentalidade machista com coragem. Quero pedir às mulheres que denunciem as ameaças, estamos protegidas pela lei”, disse Nana. E citou, como fontes de defesa, a página da ONG SaferNet Brasil (www.safernet.org.br), que combate crimes virtuais, além de compartilhar os procedimentos que aprendeu na delegacia.
“Basta apertar a tecla ‘print screen’ para copiar a ameaça, depois entrar no perfil da pessoa e passar o mouse sobre o nome dela. No canto inferior aparece um código, o Facebook ID, que leva a polícia àquele computador”, ensinou.
Um dos perfis investigados pela polícia é de alguém que se apresenta como Cirilo Pinto, afirma ter cometido um estupro e diz que o faria de novo.
Com mais de 20 mil ‘curtidas’, a página ‘Eu não mereço ser estuprada’ estava marcando novo protesto virtual para a noite de ontem. Em um dos relatos de vítimas da violência, uma mulher conta que foi estuprada aos 17 anos, ao sair da escola: “Eu estava usando calça jeans e blusa de frio, e não fui poupada. A roupa não define o direito do homem tirar a dignidade da mulhe”.
O movimento virtual contra o machismo foi lançado na sexta-feira após a revelação, em pesquisa, de que 65% das pessoas concordam que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.