Por fernanda.magalhaes

Distrito Federal - Petistas acreditam que uma eventual comprovação da inocência do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e companhia no caso do mensalão possa render frutos eleitorais, mas não neste ano. Dirceu e Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério, estão fazendo, por conta própria, uma auditoria independente sobre a gestão financeira da Visanet, consórcio que serviu de ponto de partida para o escândalo do mensalão, ainda no ano de 2005.

Para os petistas, tentar provar a inocência do partido se transformou numa questão de honra. “O Dirceu é guerreiro. Ele nunca desiste das coisas. E não desiste jamais de um direito legítimo que ele tem, que é se defender. Foi um julgamento político feito no Supremo Tribunal Federal (STF) e José Dirceu quer mostrar isso nessa auditoria”, afirma um petista que pediu anonimato.

José Dirceu quando se entregou à Polícia Federal em São PauloEstadão Conteúdo

“O PT foi execrado publicamente quando aquela história do mensalão foi veiculada. Para nós, não há provas concretas de que o dinheiro foi desviado para comprar apoio político para o então presidente Lula. Aliás, o Lula nunca precisou disso porque sempre foi um político habilidoso”, afirma outro petista, que, apesar da defesa ao partido e ao ex-presidente, falou sob condição de não ter o nome revelado.

Confiando que a auditoria provará a inocência deles, Dirceu e Paz pretendem recorrer ao Tribunal Internacional de Haia para anular o julgamento da Ação Penal 470, que trata do mensalão. Politicamente, confiam os petistas, seria a chance de o partido retomar uma ligação ética com a sociedade, que se rompeu quando o escândalo veio à tona a partir das revelações do então deputado federal Roberto Jefferson (PTB). Dirceu, Paz e Jefferson estão presos.

HISTÓRICO. A Visanet, objeto da auditoria, era uma administradora de cartões de débito e de crédito gerida por várias instituições bancárias, entre elas o Banco do Brasil. Na empresa, havia um fundo para verbas publicitárias, que poderia ser utilizado por cada um dos bancos. Segundo a ação do mensalão, o Banco do Brasil destinou os R$ 73,8 milhões aos quais tinha direito para a DNA Propaganda, de Valério e Paz.

A agência, por sua vez, operou a distribuição do dinheiro a parlamentares para garantir o apoio deles aos projetos de interesses do governo petista. Justamente desse suposto desvio é que surgiu o mensalão, ainda nos anos de 2003 e 2004.

Dirceu foi condenado a sete anos e 11 meses de prisão. Cristiano Paz foi condenado a mais de 23 anos em regime fechado.

Com informações de Rodrigo Freitas

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