Tropa de Choque recebe treinamento do FBI para ação em manifestações

Curso deve servir para ajustar detalhes das operações que serão efetivadas durante a Copa do Mundo

Por leonardo.rocha

Rio - Aproximadamente 40 agentes de segurança do Rio de Janeiro, entre eles 27 policiais militares da Tropa de Choque, recebem, entre quinta e sexta-feira, treinamento do FBI, a agência de investigação norte-americana, sobre a doutrina de Força Tática Móvel e Controle de Distúrbios Civis.

De acordo com o comandante do Batalhão de Choque, André Luiz Vital, o curso deve servir para ajustar detalhes das operações que serão efetivadas durante a Copa do Mundo.

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Agentes do FBI treinam policiais do Batalhão de Choque para distúrbios civisJoão Laet / Agência O Dia

“Em cima da Copa, a gente não vai mudar o nosso modus operandi no terreno. A questão não é mudar as práticas de ação de controle de distúrbio e sim aprimorar alguns detalhes. O detalhe é que faz a diferença no profissional. Então a gente aperfeiçoa um detalhe ou outro, como na tomada de decisões, mas na sua grande maioria a gente já está treinado e pronto para a Copa”, disse.

O coronel afirmou que a tática que deve ser adotada é prender os manifestantes, sem lesioná-los. “Ninguém vai jogar uma pedra, cometer um crime e não vai ser preso. A ideia é sempre a gente prender e levar à Justiça. Já são feitas prisões normais, com imobilização e condução do elemento agressivo”, argumentou.

O treinamento do FBI está sendo realizado em parceria com os Departamentos de Polícia de Los Angeles e Chicago. 4.520 profissionais do Rio de Janeiro já foram capacitados pela Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, em convênios com as embaixadas da Espanha e dos Estados Unidos, em cursos de antibomba e risco, policiamento turístico, uso de armas de menor potencial ofensivo, antiterrorismo e contraterrorismo. A expectativa é que os que estão sendo capacitados pelo FBI repassem os conhecimentos aos demais profissionais.

As ações policiais durante protestos, contudo, têm sido criticadas por organizações da sociedade civil, que levaram denúncias sobre violência policial, criminalização dos manifestantes, leis de exceção e repressão a jornalistas e a advogados à Organização dos Estados Americanos (OEA).Durante audiência, realizada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEAno dia 28 de março deste ano, nove organizações defensoras de direitos humanos, entre elas Justiça Global e Conectas, foram apresentados mais de 200 casos de violência praticada pelo Estado desde junho de 2013, com mais de uma dezena de mortos, além de casos de prisões arbitrárias. O representante do governo brasileiro disse que, devido ao pacto federativo, não teria como responder pela atuação das policiais estaduais.

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