São Paulo - O secrretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, anunciou ontem que o professor Rafael Marques Luvarghi, de 29 anos, e o técnico laboratorial Fábio Hideki Harano, de 26, presos na segunda-feira durante uma manifestação na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, serão processador por formação de associação criminosa. Além disso, eles foram autuados por posse de explosivos.
Segundo Grella, os dois são black blocs e foram presos em flagrante em ato de depredação. Eles podem pegar pena de até três anos de prisão por cada um dos crimes de que são acusados. “Eles estavam incitando as pessoas à prática de crime, organizando os atos de violência. Por isso, foram autuados em flagrante”, afirmou o secretário de Segurança.
Grella informou ainda que determinou à polícia que leve à força do Departamento Especial de Investigação Criminal (Deic) 22 membros do Movimento Passe Livre e do Black Bloc que não atenderam convocação para depor. “Não é prisão. Vamos cumprir a lei”, disse ele, explicando que quem, chamado, não se apresentar, deve ser levado à delegacia.
O secretário confirmou que o homem filmado atirando para o alto durante a manifestação de segunda-feira na Avenida Paulista é um policial civil. Segundo Grella, ele teria atirado para advertir manifestantes que tentavam impedir a prisão de um dos dois acusados. “O fato é objeto de apuração mas não há, em princípio, nada de irregular”, disse.
Ontem, os advogados dos dois presos negaram que eles sejam black blocs. Tatiana Tibério Luz, que defende o professor Rafael Marques Luvarghi, afirmou que ele não usava máscara e estava com um amigo polonês quando foi preso.
Luis Rodrigues da Silva, que representa Fábio Hideki Harano, negou seu envolvimento em ações violentas e disse que ele foi preso por ser militante. “Ele nunca se envolveu em qualquer ato de violência. Ele foi escolhido, pois estava sempre participando dos atos”.