Brasília - Joaquim Barbosa não é mais ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao sair da sessão da manhã de ontem, ele encerrou sua história na Corte, onde chegou há 11 anos. Barbosa foi indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se tornou o primeiro negro a comandar o Supremo. Ao deixar pela última vez o prédio do STF ainda como ministro, ele disse que se sentia “leve, tranquilo e com o sentimento do dever cumprido”.
A decisão de Barbosa de se aposentar ao 59 anos, anunciada em maio, encerra um período marcado por polêmicas e divergências com colegas, políticos e advogados e que teve no julgamento do Mensalão o ponto máximo. E o ex-presidente manteve sua postura até o último momento. Ontem, ele deixou o plenário da Corte antes do fim, para não ouvir as saudações de um de seus desafetos, o ministro Ricardo Lewandowski, que o substitui na presidência.
Mas, se colecionou adversários, o ex-ministro, por sua postura, fez admiradores. A acolhida que recebeu ao cruzar a porta do Tribunal na manhã de ontem é um exemplo. Jornalistas, funcionários, seguranças e simpatizantes fizeram questão de registrar o momento e tirar fotos ao lado do ex-presidente do Supremo.
Apesar de ter sido citado como possível candidato à Presidência em 2018, já que sem filiação partidária não pode concorrer este ano, Barbosa descartou a carreira política, em sua primeira entrevista como ex-ministro do STF. “A política não tem na minha vida essa importância toda, a não ser como objeto de estudos e reflexões”, afirmou.
Ao se despedir, exaltou o colegiado, ao comentar o tempo que passou na Corte. “Foi um período em que, não em razão da minha atuação individual, mas coletivamente, o STF teve papel extraordinário no aperfeiçoamento da democracia”.?