Eleitorado cresce, mas cai o número de jovens nas urnas

Eleitores da faixa etária entre 16 e 17 anos tem queda de 31,4% entre 2010 e 2014

Por bferreira

Rio - Apesar de ter ganho sete milhões de eleitoHres nos últimos quatro anos, o Brasil perdeu uma grande fatia de seu eleitorado jovem. Segundo dados divulgados ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas últimas eleições o país tinha 2,4 milhões de eleitores com 16 ou 17 anos. No pleito deste ano, 1,64 milhão de jovens nesta faixa etária irão às urnas, uma queda de 31,4%. Considerando todas as idades, o eleitorado cresceu 5,17%, chegando a 142,8 milhões de brasileiros.

Durante a apresentação dos dados, o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, evitou analisar se existe um desinteresse dos jovens na política, já que o voto é facultativo até os 18 anos.

Ele levantou duas razões para a queda. A primeira, de ordem técnica, é uma mudança na forma de contabilizar o eleitorado. Em 2010, o cadastro era fechado no dia 30 de junho, três meses antes da eleição. Neste ano, a contagem tem como parâmetro o dia da votação, portanto ela exclui do eleitorado jovem aqueles que completaram 18 anos até outubro. Toffoli também destacou o envelhecimento da população para explicar o fenômeno.

“Há envelhecimento que o IBGE vem demonstrando. Pode haver outros motivos de interesse político, mas há um aumento na faixa etária da população”, disse o ministro. O número de idosos com mais de 60 anos aptos a votar cresceu de 20,7 milhões em 2010 para 24,3 milhões neste pleito. Hoje, eles representam 17% do eleitorado. A maior porção dos eleitores, 59,33 milhões, tem entre 45 e 59 anos.

Ainda de acordo com o tribunal, o Rio de Janeiro continua sendo o terceiro maior colégio eleitoral do país, com 12,1 milhões de pessoas aptas a votar. O maior colégio é São Paulo, com 31,8 milhões de eleitores cadastrados, seguido de Minas Gerais, com 15,2 milhões.

Biometria para 15% dos eleitores

Nas eleições deste ano, 21,6 milhões de eleitores, ou 15,18% do total, serão identificados por suas impressões digitais. Em Alagoas, Amapá, Sergipe e no Distrito Federal, 100% dos eleitores poderão votar em urnas com identificação biométrica. No Rio, a adesão ao sistema ainda é pequena. Do total de 12,1 milhões de pessoas habilitadas a votar, apenas 402 mil poderão usar a biometria. O número representa 3,31% do eleitorado no estado.

Entre as estatísticas apresentadas, chama a atenção o número de eleitores no exterior, que cresceu 76,75%. São 354.184 brasileiros que poderão votar, distribuídos por 118 países. Os moradores dos Estados Unidos representam a maior parcela (31,6%) deste eleitorado.

Para Toffoli, essa expansão foi resultado da cooperação entre o Itamaraty e a Justiça Eleitoral, que ampliaram a possibilidade de voto fora do Brasil.

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