Bairros nobres são os que menos economizam água na capital paulista

Levantamento da companhia mostra que moradores do Jardins consomem quase dobro de água do que os do Jaçanã

Por leonardo.rocha

São Paulo - Levantamento divulgado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), nesta quinta-feira, mostra que moradores de regiões mais abastadas da capital paulista foram os que menos economizaram água ao longo do primeiro semestre de 2014. Desde fevereiro está em prática a todos os atendidos pelo Sistema Cantareira o Programa de Incentivo à Redução de Consumo de Água, segundo o qual clientes que reduzam em 20% o consumo mensal ganham 30% de desconto na conta de água.

Com a estiagem%2C o reservatório do Sistema Cantareira está vazio e há risco de faltar água em São PauloReprodução Internet


O relatório mostra que a região dos Jardins - que abrange os bairros Jardins Paulista, Europa e América -, uma das mais valorizadas da cidade, foi a que menos reduziu o consumo, em apenas 7,36%, seguida por Vila Mariana e Sé, respectivamente, com diminuição de 11,18% e 11,4%. Do outro lado da tabela, os bairros periféricos Jaçanã, Perus, na zona norte, e Pirituba, na oeste, lideram a lista, com economia de 20,43%, 20,06% e 19,82%, respectivamente.

Outras regiões de classe média alta, como Butantã, Mooca, Campo Limpo e Ipiranga também reduziram menos o consumo do que outras com populações de menor poder aquisitivo como São Mateus, Artur Alvin, Vila Maria e Itaim Paulista. Comparando os índices apenas de junho dos dois lados opostos da tabela, a média de consumo por domicílio nos Jardins foi de 18,11 mil litros, enquanto no Jaçanã, de 11,42 mil litros.

Para a Sabesp, o fato de a região dos Jardins ser amplamente verticalizada - maioria da população vive em prédios -, a grande presença de estabelecimentos comerciais e o histórico de maior consumo são as principais causas que explicam os números. Também existe um abismo de poder aquisitivo entre a área com menor redução e aquelas que mais economizaram, mas a companhia prefere não citar essa característica como uma das responsáveis pelos gastos. A média de redução na capital paulista no período foi de 16,23%.

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