Por bferreira

Brasília - O doleiro Alberto Youssef negou ontem que tenha feito negócios com políticos do PSDB, como afirmou na segunda-feira o diretor-presidente da Labogem, Leonardo Meireles, em depoimento na 13ª Vara Federal da Justiça do Paraná. O desmentido de Youssef foi feito a seus advogados, que entraram com pedido de acareação entre o doleiro e Meireles.

A defesa quer ainda a impugnação do depoimento de Meireles. “Meu cliente jamais teve negócios com Sérgio Guerra ou com quem quer que seja do PSDB. Em seu depoimento à Justiça, como é do conhecimento de todos, ele disse que tinha negócios com o PP e que o dinheiro de propinas da Petrobras iam também para o PT e PMDB”, afirmou Antônio Figueiredo Basto.

Ele disse que não sabe quais são os interesses de Meirelles, mas insinuou que sejam eleitorais. “Youssef não é movido por questões partidárias e está disposto a desmentir Meirelles, garantindo jamais ter tido negócios com o PSDB”, afirmou.

Segundo Figueiredo Basto, Meirelles já havia confessado, no dia 25 de março, logo após ter sido preso, que conheceu Youssef apenas em 2012. “Se conheceu Youssef em 2012, como ele pode afirmar que meu cliente teve negócios com o PSDB em 2009? Acho que o depoimento do Meirelles está fazendo o jogo de alguém neste momento de campanha”.

Ele reafirmou que seu cliente não tem partido e não está protegendo ninguém. “Seu depoimento de colaboração com a Justiça já está no STF e sua delação premiada é apartidária”.

Meirelles é apontado como laranja de Youssef no laboratório Labogem, indústria de remédios falida que o doleiro usou para tentar conquistar um contrato com o Ministério da Saúde, para fornecimento de medicamentos. Segundo o Ministério, o contrato não chegou a ser assinado.

O advogado Figueiredo Basto disse que não pode responder pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que, em depoimento da delação premiada, disse que pagou R$ 10 milhões para Sérgio Guerra com o objetivo de esvaziar uma CPI sobre a Petrobras em 2009.

O presidente da CPI mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB), marcou para a próxima quarta-feira o depoimento do doleiro Alberto Youssef.

DOLEIRA CONDENADA

A doleira presa pela operação Lava Jato, Nelma Kodama, foi condenada pela Justiça Federal do Paraná a 18 anos de prisão pela prática de 91 crimes de evasão de divisas. Além de Nelma, foram condenados sete réus. A doleira é acusada de atuar em parceria com Alberto Youssef no esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a polícia, movimentou mais de R$ 10 bilhões.

CVM abre processo para investigar a Petrobras

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado financeiro brasileiro, abriu processo para investigar a Petrobras. A informação está no site da autarquia, que não revela, no entanto, o motivo da investigação, alegando que “não comenta casos específicos, inclusive para não afetar negativamente trabalhos de análise”.

Fontes do mercado financeiro informaram que a CVM já vinha apurando as denúncias surgidas da operação Lava Jato.

Na sexta-feira, a Petrobras informou, em resposta a um ofício da CVM pedindo esclarecimentos sobre os crimes denunciados na Lava Jato, que constituiu comissões internas para averiguar indícios contra a empresa. A estatal afirmou ainda que requereu acesso aos autos da operação, que foi deferido pela Justiça, e que pediu acesso ao conteúdo da “delação premiada” do seu ex-diretor Paulo Roberto Costa, que ainda não foi acolhido pela Justiça.

Na semana passada, a consultoria financeira Arko Advice havia divulgado que a Petrobras é alvo de investigação semelhante nos Estados Unidos, pelo órgão regulador do mercado acionário de lá, a Security Exchange Commission (SEC).

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