Governo desmente 'Veja' e diz que não ignorou fraudes na Petrobras

Revista afirma, de novo, que Dilma Rousseff sabia de corrupção na Petrobras

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - A Presidência da República classificou como “mais um episódio de manipulação jornalística” reportagem da revista ‘Veja’, publicada nesta sábado. No texto citado, a publicação afirma que a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula ignoraram irregularidades em obras da Petrobras.

Um e-mail de setembro de 2009 de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da empresa, é usado pela revista para sustentar a afirmação. Nele, Costa sugere solução política para que obras tocadas pela companhia não fossem paralisadas, como pedira o Tribunal de Contas da União (TCU).

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Segundo a presidência, porém, antes mesmo da mensagem do ex-diretor, o Congresso encaminhara à Casa Civil, à época comandada por Dilma, o relatório do TCU — em seguida, diz o governo, chegaram informações do próprio TCU e de Costa.

Segundo a nota, a Casa Civil encaminhou as denúncias à Controladoria-Geral da União, para que investigasse. Em seguida, diz, passou a agir com o Ministério das Minas e Energia, além do próprio TCU e de representantes do Congresso e da Petrobras, para que “as pendências” fossem regularizadas.

Depois de trabalho conjunto, TCU e Congresso retiraram o pedido de paralisação de obras como as da Refinaria Abreu e Lima (PE). Eduardo Campos, governador à época, procurou Lula para que os trabalhos não fossem interrompidos, sob risco de desestabilizar a economia local e gerar desemprego. Para a presidência, ‘Veja’ “desinforma seus leitores e tenta manipular a realidade dos fatos”.

Dois dias antes do segundo turno, a revista publicou que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras, citando um depoimento de Alberto Yousseff — o que foi negado por seu advogado. ‘Veja’ foi condenada pela Justiça Eleitoral.

?Justiça quebra sigilo de Yousseff

O juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo da Operação Lava Jato, autorizou que Paulo Roberto Costa se apresente à CPI mista que investiga denúncias de irregularidades na estatal. Será no dia 2 de dezembro. Moro ressaltou, porém, que é garantido a Costa o direito de não responder perguntas. Os parlamentares querem que ele participe de acareação com Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da companhia.

Moro decidiu ainda quebrar o sigilo bancário de quatro empresas de fachada, controladas Alberto Youssef. Na decisão, o juiz afirma que o objetivo é rastrear o dinheiro que pode ter sido desviado da Petrobras. “Há provas de que empreiteiras, em cartel, frustraram licitações, manipularam preço dos contratos, lavaram o produto do crime e pagaram vantagem indevida a agentes públicos”, escreveu.

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