A divulgação do laudo final sobre a morte do ex-presidente João Goulart ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 1º de dezembro, em Brasília. Três laudos foram produzidos, um pela Polícia Federal e outros dois por laboratórios da Espanha e de Portugal. Os documentos já estão com o governo brasileiro, lacrados, para serem abertos e confrontados nesta semana. O resultado da análise é que será divulgado na próxima semana.
“É um episódio importantíssimo, que deve ser esclarecido, trazendo ao público a realidade dos fatos”, disse a ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti. A suspeita é de que Jango, como era conhecido, teria sido assassinado e não morrido de forma natural, no exílio, na Argentina, em 1976, 12 anos após ter sido deposto pelo golpe militar, em 1964.
O laudo da Polícia Federal se fixou na análise dos gases presentes na sepultura do ex-presidente, em São Borja, no Rio Grande do Sul. O corpo de João Goulart foi exumado em novembro do ano passado.
Já os laudos dos laboratórios espanhol e português se concentraram na análise dos restos mortais do ex-presidente. No atestado de óbito a causa registrada é de infarto do miocárdio. Para a ministra, a simples suspeita já indica fatos históricos não esclarecidos e que devem servir de exemplo para a sociedade.
“Quem tem que enfrentar a onda conservadora é a sociedade brasileira. Quando vem a público um episódio como este, que há a possibilidade de assassinato de um ex-presidente da República, que foi eleito legitimamente, que foi deposto pelo golpe. Este debate fortalece o desejo da grande maioria da população brasileira que não tenhamos a repetição nem de golpes nem de ditaduras. Todo trabalho da comissão da verdade, este trabalho de análise dos restos mortais é exatamente na lógica de fortalecer a democracia de forma muito clara. A ditadura causa sofrimento, causa atos arbitrários, ela causa situações que nós não podemos mais imaginar ocorrendo no nosso país”, disse a ministra.