Políticos reagem a delação de ex-diretor da Petrobras

Citados em uma lista divulgada por jornal e creditada a Paulo Roberto Costa contestam acusação de uso em suas campanhas de dinheiro desviado da estatal

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB, saíram ontem em defesa do ex-governador Sergio Cabral. Ele e mais 27 políticos — entre os quais o senador Lindberg Farias (PT) — foram citados na delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, segundo reportagem do jornal ‘O Estado de S. Paulo’. Cabral e Lindberg negaram envolvimento com Costa.

O ex-diretor, que está preso desde março, revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal a existência de cartel de empreiteiras e de corrupção em licitações da estatal. O dinheiro de propina teria como destino servidores e partidos políticos.

De acordo com a reportagem, políticos de cinco partidos (PMDB, PT, PP, PSB e PSDB) foram citados pelo delator em envolvimento com o esquema de repasses de parcelas de R$ 1 milhão para as campanhas eleitorais. Outro político, já morto, Sérgio Guerra, do PSDB, teria recebido R$ 10 milhões para encerrar, em 2009, a CPI da Petrobras no Senado. Eduardo Campos, morto em agosto na campanha presidencial, também está na lista.

Sérgio Cabral e Lindberg Farias negaram as acusações%2C que atingem também o ex-governador Eduardo Campos%2C que morreu em agosto Fotos%3A André Luiz Mello%2C Daniel Scelza e Severino Silva

“As pessoas citam nomes e não falam em valores. Tem que tomar cuidado, dar direito à defesa”, alertou Pezão. O governador participou de almoço de apoio a Eduardo Cunha (PMDB), que disputa a presidência da Câmara dos Deputados. Vice de Cabral por sete anos, Pezão disse [CABRAL]não ter visto “em nenhum momento” qualquer pedido de indicação na Petrobras.

Já Paes sugeriu que se espere a formalização das denúncias, porque “sem isso, é difícil especular”. Mas, para o prefeito, cada um deve responder por seus atos. Antes de qualquer denúncia, no entanto, é preciso preservá-los.

O senador Lindberg Farias admitiu ao DIA que esteve com Paulo Roberto Costa no início de 2014. Segundo ele, foram três reuniões, quando o então candidato ao governo do estado pediu ajuda para o programa de governo.

Lindberg nega envolvimento com corrupção, classificando o vazamento de “irresponsável”. “Só tem uma citação, e eu não sabia de irregularidades”, disse ele, que procurou ontem a Procuradoria-Geral, em Brasília, para saber o que tinha sobre ele.


Sérgio Cabral, via assessoria, afirmou que “repudia qualquer menção a seu nome” e afirma que sua relação com Costa “sempre foi institucional”. Citados, os deputados Simão Sessim (PP) e Alexandre Santos (PMDB) não foram encontrados.

A matéria lista ainda o ministro Edison Lobão e os ex-ministros Mário Negromonte, Antônio Palocci e Gleisi Hoffmann. Também Tião Viana, governador do Acre; a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB); Renan Calheiros, presidente do Senado; e Henrique Alves, da Câmara.


Teori aceita delação de Yousseff

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki aceitou o acordo de delação premiada do doleiro Alberto Yousseff. Nele, o delator descreveu a policiais federais e a procuradores da República detalhes sobre o esquema de corrupção na Petrobras e apontou envolvidos beneficiados com os desvios — muitos deles, políticos.

Na mesma decisão, Zavascki “fatiou” os depoimentos do doleiro e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Isso significa que pessoas com foro privilegiado, terão seus casos encaminhados ao STF ou ao STJ. Quem não tiver, irá para a Justiça do Paraná. Como o ano no Judiciário terminou ontem, denúncias e inquéritos serão retomados em fevereiro.

Cunha: delação fora de contexto

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) acredita que os nomes mencionados por Paulo Roberto Costa estão “fora de contexto”. “Precisam conhecer o contexto até para garantir o direito de defesa dos acusados. Citado, qualquer um pode ser. Não farei o julgamento de algo que não conheço”, afirmou o candidato à presidência da Câmara, que afirmou ser a Petrobras um assunto a dominar o Parlamento no ano que vem.

Durante o evento, Cunha garantiu que não será um candidato de oposição ao PT — em alguns momentos, como na votação do Marco Civil da Internet, o deputado foi pedra no sapato petista. “O que a gente prega aqui é a independência. Se decepcionará quem achar que isso aqui é uma candidatura de oposição. Não é. Mas também não é uma candidatura de submissão ao governo”, afirmou ele.

Em seu caminho, estão os candidatos Arlindo Chinaglia (PT - SP), e Júlio Delgado (PSB - MG). O peemedebista calcula ter 167 em sua base aliada, e, com a adesão de bancadas como a do PR, poderá chegar a pouco mais de 200. Mesmo asssim, deverá ir para o segundo turno contra Chinaglia. “Ele era líder do governo há poucos dias. É difícil o líder dizer que não é candidato do governo. Ele deve estar com algum desconforto”, afirmou Eduardo Cunha.

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