Nona fase da Lava Jato investiga novos operadores na Petrobras

Segundo o Ministério Público Federal, mais de 10 atuavam com agentes públicos na estatal durante gestão de Duque

Por clarissa.sardenberg

Rio - A nona fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), busca provas contra 11 operadores do esquema de corrupção na Petrobras. De acordo com a Policia Federal, há suspeitas de que 11 operadores atuaram na Diretoria de Serviços da Petrobras durante a gestão do ex-diretor Renato Duque.

As provas foram obtidas por meio de acordos de colaboração com outros investigados. No entanto, ainda não há documentação para basear uma denúncia formal contra os acusados. A nona fase da Lava Jato foi batizada de "My Way", forma pela qual o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco se referia a Renato Duque, ex-diretor da Área de Serviços, explicou a PF.

Segundo o Ministério Público Federal, órgão que coordena a força-tarefa da Lava Jato, os novos operadores descobertos não tinham poderes como o doleiro Alberto Youssef, mas também atuavam com agentes públicos na Petrobras. "Os esquemas na Petrobras que estamos investigando não se limitam aos operadores que estão presos, como Youssef e Fernando Baiano", disse o procurador da República Carlos Fernando Lima.

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Entre os investigados levados para prestar depoimento está o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Segundo a PF. ele deverá esclarecer denúncias de delatores de que atuava na cobrança de propina e de doações legais para o partido.

BR Distribuidora

São alvo da nona fase da investigação os contratos com a BR Distribuidora. Em Santa Catarina, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro e prendeu dois empresários acusados de fraudar contratos com a estatal por meio de notas fiscais falsas.

Segundo o delegado Igor Romário de Paula, 26 empresas são investigadas na nova fase da operação. De acordo com ele, há indícios de que, até o fim do ano passado, após a deflagração da última fase da Lava jato, as empresas continuaram atuando na fraude de notas fiscais e lavagem de dinheiro. "Eles [operadores] atuavam na intermediação entre o pagamento de recursos desviados e a propina das empreiteiras, [recursos] destinados a agentes públicos", disse.

Na manhã desta quinta, cerca de 200 agentes federais e servidores da Receita Federal cumprem 62 mandados judiciais em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia e em Santa Catarina. Ao todo, são 18 mandados de condução coercitiva, um de prisão preventiva, três de prisão temporária e 40 de busca e apreensão. Segundo a PF, a nova fase foi deflagrada a partir da colaboração de um dos investigados, de documentos e contratos apreendidos em fases anteriores, além de informações prestadas por uma ex-funcionária de empresa que foi alvo da operação.

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Com informações da Agência Brasil

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