Impeachment de Dilma 'não está na pauta do PSDB', afirma Aécio Neves

'Não é crime falar sobre o assunto', disse senador mineiro em defesa de Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que discutiu com o senador Lindberg Farias (PT-RJ) no Congresso nesta terça

Por tiago.frederico

Rio - Embora defenda os colegas do partido que abordam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o assunto "não está na pauta do PSDB", disse o senador Aécio Neves (MG). Em entrevista à Folha de São Paulo nesta quarta-feira, o parlamentar afirmou que "desconhecer que há um sentimento de tamanha indignação na sociedade é desconhecer a realidade".

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Aécio Neves analisou o caso um dia após o líder de seu partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), discutir com o senador Lindberg Farias (PT-RJ). Lima e Farias se confrontaram após o tucano declarar ser legítima a discussão sobre o impeachment da presidenta. Os dois parlamentares são paraibanos.

"Não está na pauta do nosso partido, mas não é crime falar sobre o assunto, como fez o senador Cássio Cunha Lima", disse o Aécio Neves à Folha.

Para Aécio, queda da popularidade de Dilma é decorrência de uma série de equívocos que o próprio governo teria cometidoReuters (arquivo)

Para Aécio, a queda da popularidade de Dilma é decorrência de uma série de equívocos que o próprio governo teria cometido. Segundo ele, a oposição tem sido "cautelosa" em seus posicionamentos. Ainda em entrevista ao jornal, ele disse, que Dilma "foi covarde" ao terceirizar explicações sobre as medidas que adotou na economia. "Escolheu uma pessoa de fora do seu círculo, que provavelmente nem votou nela, para assumir as decisões. Ela se escondeu. Essa covardia abriu inquérito para crescer o sentimento de que a presidente mentiu na eleição", afirmou.

O senador mineiro acredita que a presidenta desagradou não só aqueles que já não apostavam nela, como também sua própria base social. "São dois sentimentos: indignação, de quem não a escolheu e hoje vê ela fazer o que disse que os adversários fariam; e frustração, porque quem votou nela apostou em outro projeto, não nesse", ponderou o parlamentar.

O tucano também afirmou que não enxerga "hoje elementos jurídicos ou políticos para um pedido de impeachment". Todavia, para Aécio o cenário tende a pioras, devido à instabilidade das relações no Congresso, bem como o escândalo envolvendo a Petrobras.

O parlamentar termina a entrevista "brincando" com a equipe de articulação política do Palácio do Planalto: "Vão parar no Guinness. Nunca vi em tão pouco tempo um governo errar tanto".

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