Pezão nega ter recebido verba de ex-diretor da Petrobras para campanha

Governador também comentou discurso de Dilma e avaliou que medidas anunciadas neste domingo são 'necessárias'

Por clarissa.sardenberg

Rio - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, voltou a negar nesta segunda-feira o recebimento de recursos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para campanha. Costa é um dos delatores do esquema de corrupção na estatal, investigado na Operação Lava Jato da Polícia Federal. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode entregar nesta segunda ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedidos para investigar governadores citados durante a operação.

"Respeito muito a Justiça, só que tenho tranquilidade de que não recebi nenhum recurso, não tive nenhuma ajuda de campanha, não pedi e não tive conversa com Paulo Roberto [Costa] e com ninguém da Petrobras para pedir ajuda de campanha", afirmou ao chegar a um almoço de homenagem ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Cunha é o primeiro parlamentar do Rio a assumir a Câmara nos últimos 40 anos.

O governador Luiz Fernando Pezão durante pronunciamento no final de janeiro Severino Silva / Agência O Dia

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou 21 pedidos de abertura de inquérito encaminhados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ao todo, 49 políticos — 32 do PP, sete do PMDB, seis do PT, um do PSDB e um do PTB e dois operadores (um do PT e outro do PMDB) — serão investigados por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Em todos os casos, o ministro revogou o sigilo na tramitação dos procedimentos, tornando públicos os documentos.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou em delação premiada que arrecadou R$ 30 milhões para caixa 2 da campanha de Sérgio Cabral para governador e Pezão para vice. Segundo ele, o dinheiro vinha de empresas que participavam da obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Paulo Roberto Costa afirmou ainda que o consórcio Compar, formado pelas empreteiras Odebrecht, UTC e OAS, pagou R$15 milhões e o restante foi dividido entre outras.

Pezão também comentou o discurso da presidenta Dilma Rousseff, neste domingo, em cadeia nacional de rádio e televisão. Ele avaliou que as medidas anunciadas pelo governo federal são necessárias. "Ela está certa nesse chamamento. É um momento difícil da economia, principalmente para o estado [do Rio de Janeiro, pois temos uma economia muito dependente do petróleo", acrescentou o governador.

Em nota enviada pela assessoria do ex-governador, Sérgio Cabral chama de mentirosa a afirmação do delator Paulo Roberto Costa. De acordo com Cabral, a reunião jamais aconteceu e nunca foi solicitado por ele ao delator apoio financeiro para se reeleger ao governo do Rio. 

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